Política | 17-01-2026 13:18
“Descentralizar é fundamental, porque ainda é preciso ir a Lisboa tratar de coisas menores"
Em Santarém falou-se de descentralização e de regionalização numa conferência promovida pela SEDES. A macrocefalia da capital, um país inclinado para o litoral e as barreiras criadas pela máquina burocrática do Estado foram algumas das constatações críticas que se ouviram.
Regionalização ou descentralização: é necessário fazer alguma coisa no país para combater a macrocefalia da capital e as assimetrias no país, designadamente entre litoral e interior. Essa foi a ideia transversal que saiu de um leque de intervenções na conferência e debate promovidos pela delegação distrital da Sedes - Associação para o Desenvolvimento Económico e Social, na noite de 15 de Janeiro, no Santarém Hotel.
Álvaro Beleza, presidente nacional da SEDES, deu o mote referindo que uma das reformas fundamentais é a descentralização administrativa, lembrando que a regionalização até está prevista na Constituição e não necessita de qualquer revisão constitucional para ser implementada. Admitiu que gostava que a SEDES colocasse esse debate no mapa durante 2026, notando que “ainda falta descentralizar mais”, apesar de os municípios e associações de municípios terem vindo a ganhar novas competência. “Apesar da evolução, ainda é preciso ir a Lisboa tratar de coisas menores”, enfatizou, acrescentando que “não há desculpas” para não se arrepiar caminho nesse domínio, até porque o país hoje “está maduro o suficiente para se passar a essa fase”. E reforçou: “mesmo que não se vá para as regiões administrativas, é preciso organizar o país, que está muito confuso”.
O presidente da Câmara de Santarém, João Leite (PSD), concordou com a necessidade de se aprofundar a descentralização e a delegação de competências para os municípios, sem necessariamente ter que se optar pela regionalização. E defendeu que as comissões de coordenação e desenvolvimento regional (CCDR) têm de deixar de ser “forças de bloqueio ao desenvolvimento” e morosas máquinas burocráticas que criam “barreiras” a quem quer investir no território.
O engenheiro, gestor e ex-ministro da Economia, António da Costa Silva, foi o orador convidado e afinou pelo mesmo diapasão. Lembrando que Santarém está a 79km da capital, defendeu que se tem que “descongestionar Lisboa”, descentralizar o crescimento e transferir empresas e serviços para outras regiões, como a de Santarém. “É necessário espalhar pelo território centros motores de desenvolvimento económico”, afirmou, referindo a concluir que o distrito de Santarém é um território com muito potencial em diversas áreas, que “tem que apanhar o comboio e olhar para o futuro”.
Antes, já a presidente do Conselho Consultivo da SEDES Santarém, Isaura Morais, havia vincado que o distrito tem potencial, tem recursos e tem capital humano, exigindo-se visão estratégica e diálogo e cooperação institucional entre os vários actores e entidades para potenciar o desenvolvimento.
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