A maior abstenção de sempre foi há cinco anos em plena pandemia de Covid-19
Covid-19 e recenseamento automático dos emigrantes contribuíram para afastar eleitores das urnas, numa eleição que registou a menor participação de sempre em Portugal.
A eleição presidencial de 2021 ficará para a história como a que registou a maior taxa de abstenção desde o 25 de Abril, com 60,76% dos eleitores a não exercerem o direito de voto. Realizado no período mais crítico da pandemia de Covid-19, o ato eleitoral que reconduziu Marcelo Rebelo de Sousa à Presidência da República foi fortemente condicionado pelas restrições sanitárias e pelo impacto do recenseamento automático dos portugueses residentes no estrangeiro, introduzido por alterações à lei eleitoral em 2018.
Em território nacional, a abstenção fixou-se nos 54,55%, mas foi entre os emigrantes que os números atingiram valores históricos: dos mais de 1,5 milhões de eleitores inscritos fora do país, apenas 1,88% participaram, traduzindo-se numa abstenção de 98,12%. Antes de 2021, o pior registo remontava a 2011, na reeleição de Cavaco Silva, com 53,56% de eleitores ausentes das urnas.
Apesar de ser habitual uma menor participação em eleições de recondução presidencial, houve exceções marcantes, como a reeleição de Ramalho Eanes em 1980, que continua a ser a mais participada de sempre, com mais de 84% dos eleitores a votar. Ainda assim, os dados das últimas décadas revelam uma tendência crescente de afastamento dos cidadãos dos atos eleitorais, colocando novos desafios à democracia portuguesa.


