Nova Ponte da Escusa com projecto no Verão, mas financiamento continua por garantir
A promessa de um calendário mais definido para a solução definitiva da Ponte da Escusa, no concelho de Coruche, surge como um sinal de esperança para as populações afectadas, que continuam a viver entre desvios longos, estradas degradadas e uma travessia provisória vulnerável às cheias do Sorraia.
A Câmara de Coruche prevê ter concluído até meados do ano, entre Julho e Agosto, o projecto de execução da nova Ponte da Escusa, uma obra estimada em cerca de 2,5 milhões de euros e considerada prioritária pelo executivo liderado por Nuno Azevedo. Segundo o presidente da autarquia, a ponte existente foi construída pela Associação de Regantes e Beneficiários do Vale do Sorraia e já não responde às exigências actuais, deixando de servir apenas o trânsito agrícola e rural para assumir uma função essencial na mobilidade diária da população. A associação, de acordo com a autarquia, não dispõe de recursos financeiros para promover a construção da nova ponte, razão pela qual o município decidiu avançar com o projecto.
Nuno Azevedo recorda que o município já adoptou solução semelhante noutro ponto do concelho, ao assumir a construção da Ponte de Santa Justa, igualmente numa situação de responsabilidade herdada e sem alternativa viável. Ainda assim, frisou que uma obra desta dimensão representa um forte impacto no orçamento municipal, tornando essencial a obtenção de apoio financeiro externo, embora, até ao momento, não exista qualquer garantia de financiamento. Enquanto decorre a elaboração do projecto, o município pretende preparar uma candidatura a fundos que possam comparticipar uma parte significativa da empreitada.
Travessia provisória e estradas alternativas degradadas
A ausência da ponte tem efeitos directos e persistentes na vida das populações locais, que dependem de uma travessia provisória e de estradas alternativas degradadas. A situação agrava-se nos meses de maior pluviosidade, quando o aumento do caudal do rio impede a circulação. “Enquanto as barragens a montante conseguem reter as águas das chuvas, a alternativa funciona. Quando começam as descargas, deixa de ser suficiente”, explica Nuno Azevedo, referindo-se às barragens de Montargil e do Maranhão.
Segundo O MIRANTE constatou na passada semana, a travessia alternativa, em terra batida, encontrava-se transitável, tendo sido percorrida, em cerca de meia hora, por uma carrinha de mercadorias e um táxi. Apesar de reconhecer o carácter precário da solução actual, o autarca salienta que esta tem permitido assegurar a circulação durante grande parte do ano. Ainda assim, admitiu que o problema é estrutural e não pode ser resolvido de forma definitiva sem a nova ponte, assumindo que a autarquia avançará com a obra mesmo sem apoio externo, caso não surjam alternativas de financiamento.
A nova ponte será construída no mesmo local da actual, que terá de ser demolida, uma condição imposta pelo projecto. As cotas de implantação terão de ser revistas, uma vez que os acessos se encontram em zona submersível, o que significa que, mesmo com a nova travessia, continuarão a existir períodos pontuais de interdição sempre que o caudal do Sorraia aumente significativamente.
Uma travessia que poupa vários quilómetros
Com a Ponte da Escusa encerrada desde 2022 e quando o caminho alternativo está submerso, os moradores da Erra, Texugueira e zonas envolventes são obrigados a percorrer percursos que podem ultrapassar os 40 quilómetros, quando anteriormente a ligação ao Couço ou a Coruche se fazia em poucos minutos.
Esta instabilidade tem reflexos directos na vida quotidiana das populações. Há relatos de professores que chegam a demorar quase duas horas nas deslocações diárias, residentes obrigados a circular por caminhos de terra batida sem condições e viaturas frequentemente danificadas. A situação é agravada pelo estado de degradação da Estrada Nacional 119, uma das principais alternativas, alvo de críticas recorrentes de moradores e utilizadores.
Recorde-se que o relatório técnico sobre a actual Ponte da Escusa aponta para “fracturas totais” na estacaria que suporta a ponte, não permitindo a circulação de qualquer tipo de veículo no tabuleiro, nem mesmo ligeiros ou de socorro.


