Guerra política na Junta de VFX bloqueia executivo e aproxima novas eleições
Continua sem haver fumo branco para compor um executivo na Junta de Vila Franca de Xira e o cenário de eleições intercalares está cada vez mais perto porque as forças políticas não se estão a entender. PS acusa Nova Geração de falácia e de apresentar propostas irrealistas.
A integração de Renato Rosinha, eleito da Coligação Nova Geração (PSD/IL) no executivo da junta de Vila Franca de Xira, só vai acontecer se o executivo for composto por elementos de todas as forças partidárias representadas na assembleia de freguesia. O Partido Socialista já veio dizer que a proposta é irrealista e falaciosa, um desentendimento que, no actual cenário, parece indicar que a cidade vai mesmo para eleições intercalares em breve.
A Nova Geração propôs na última semana a criação de um executivo de “salvação”, composto por todas as forças políticas, para desbloquear o que diz ser “a inaceitável situação” que se vive na junta, que continua sem executivo formado e a não poder gastar mais de 2.500 euros em contratos públicos, o que tem prejudicado a população e o normal funcionamento dos serviços, como a limpeza e a higiene urbana. A CDU, num primeiro momento, tinha dado a sua luz verde para um eleito seu integrar o executivo, mas recuou na assembleia municipal que podia ter resolvido o problema. O Chega está disponível, mas o PS não quer aliar-se com esse partido. A única esperança era a Nova Geração, a segunda força mais votada, mas o partido já veio dizer que só integra o executivo se todas as forças estiverem representadas. “Os resultados eleitorais em Vila Franca de Xira foram claros e inequívocos. Os eleitores atribuíram ao Partido Socialista a liderança do executivo da junta de freguesia, mas determinaram igualmente uma composição plural da assembleia, atribuindo à Nova Geração a maior votação entre as forças da oposição. A decisão dos vilafranquenses merecia, desde o primeiro momento, uma obrigação acrescida de diálogo e capacidade de entendimento por parte do partido mais votado, o que não aconteceu”, critica aquela força política. A constituição de um executivo de “salvação” é, para a Nova Geração, “uma solução democrática e responsável que integra todas as forças políticas com representação nesta assembleia de freguesia e resolverá rapidamente este impasse político”, defende.
Já o PS de VFX diz que a proposta da coligação é “muita retórica pública e escassa disponibilidade” para assumir responsabilidades. O cenário criado nas eleições, para o PS, exigia “diálogo sério, maturidade política e sentido institucional”, considerando que o PS esteve à altura desse desafio. O PS refere que as propostas para viabilizar uma solução estável para a freguesia não foram acolhidas pela coligação e que a ideia de um executivo de “salvação” traduz uma tentativa de “transformar a recusa de negociação numa falsa demonstração de responsabilidade”, revelando uma profunda descredibilização política e institucional, “banalizando um tema que exige ser tratado com seriedade e respeito”. Sem querer formar executivo com o Chega e depois de criticar a CDU pela forma como se tem comportado na negociação, é quase certo que os eleitores de VFX vão ser novamente chamados às urnas.
À margem/opinião
Brincar à política
Três meses depois das autárquicas as quatro forças políticas eleitas na assembleia de freguesia de Vila Franca de Xira não se entendem sobre como formar um executivo. A situação espelha o pior que a política local pode dar e, caso venham mesmo a acontecer novas eleições, como tudo indica, será uma vitória para todos os que deixaram há muito de acreditar na política como um dos mais nobres actos de cidadania. A situação espelha também a falta de líderes carismáticos e fortes no concelho, como acontecia na última década. Entre acusações, birras e chantagens políticas, muitas delas tendo por base rancores antigos na freguesia de Vila Franca de Xira, quem acaba por perder com toda esta novela são as pessoas da cidade. E era nelas que os políticos mais se deviam focar, em vez de si próprios e os partidos onde orbitam.


