Política | 26-01-2026 20:42
Rede de água em Tomar precisa de investimento urgente de 17 milhões de euros
Presidente da Câmara de Tomar explicou que é necessária a substituição integral da rede de abastecimento de água no concelho. Director da empresa Tejo Ambiente alertou para a gravidade do problema, sublinhando que a situação tem tendência a piorar.
A falha no abastecimento de água que afectou recentemente as localidades de Cem Soldos e de Porto Mendo esteve no centro do debate da mais recente reunião do executivo da Câmara de Tomar, realizada na sede da Junta de Freguesia da União de Freguesias de Madalena e Beselga. A escolha do local teve como objectivo aproximar o executivo municipal da população directamente afectada e permitir uma explicação detalhada sobre o problema.
O presidente da câmara, Tiago Carrão (PSD), explicou que a situação foi resolvida apenas com “cuidados paliativos”, alertando para a necessidade urgente de uma solução estrutural. Segundo o autarca, essa solução passa pela substituição integral da rede de abastecimento de água do subsistema da Mendacha, num total de cerca de 250 quilómetros de condutas.
Presente na reunião, o director executivo da empresa intermunicipal Tejo Ambiente, José Santos, detalhou a gravidade do problema, explicando que 253 quilómetros da rede estão praticamente obstruídos por calcário, resultado de décadas de captações em ambiente rochoso calcário, exploradas desde 1959 por diferentes entidades gestoras. Embora desde 2022 o subsistema seja abastecido por água proveniente da albufeira de Castelo de Bode, após um investimento de cerca de 1,9 milhões de euros, o dano acumulado nas condutas mantém-se.
José Santos sublinhou que o subsistema abastece cerca de 5.300 alojamentos domésticos, além de consumidores não domésticos sensíveis, como uma clínica de hemodiálise, que exige água de extrema qualidade. Apesar de a água cumprir os parâmetros legais de saúde pública — com uma concentração de calcário de cerca de 280 miligramas por litro, abaixo do limite legal de 500 —, do ponto de vista técnico a situação é crítica, uma vez que valores acima dos 180 miligramas tornam a água incrustante, provocando a progressiva obstrução das tubagens.
De acordo com o responsável da Tejo Ambiente, a empresa é obrigada a manter equipas no terreno durante a maior parte do ano para minimizar os impactos, mas alertou que sem a renovação integral da rede, qualquer intervenção continuará a ser insuficiente. O investimento necessário está estimado em 17 milhões de euros, valor que permitiria executar uma obra de fundo num horizonte de quatro a cinco anos.
Tiago Carrão reconheceu a dimensão do desafio e afirmou que, desde que assumiu a presidência do conselho de administração da Tejo Ambiente, tem procurado activamente soluções para viabilizar o início das obras o mais rapidamente possível. O autarca deixou um aviso claro: sem intervenção estrutural, os problemas no abastecimento de água tenderão a repetir-se e a agravar-se no futuro.
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