Política | 31-01-2026 18:00

Aluguer de automóveis põe PSD e PS em rota de colisão na Câmara de Santarém

Aluguer de automóveis põe PSD e PS em rota de colisão na Câmara de Santarém
João Leite e Pedro Ribeiro voltaram a envolver-se num debate intenso em reunião de câmara - foto O MIRANTE

A opção da maioria PSD na Câmara de Santarém pelo aluguer de frota automóvel mereceu críticas da bancada do PS e a discussão foi parar a Almeirim. Pelo meio houve ironia, ideologia e acusações de despesismo e de desinformação.

A Câmara de Santarém vai efectuar novo contrato de aluguer de automóveis, para vigorar no actual mandato, que prevê a disponibilização de 40 viaturas de várias características, a maior parte delas eléctricas ou híbridas, embora haja ainda uma dúzia movida a gasóleo. Ao todo, o contrato é de um milhão e 41 mil euros, mas desta vez a opção teve críticas da oposição socialista, que acabaram em discussão.
Depois do vice-presidente Emanuel Campos (PSD) ter apresentado o tema, referindo que o actual contrato está perto do final e que o novo contrato conjuga inovação, sustentabilidade e racionalidade económica, o vereador socialista Paulo Caetano criticou a opção e defendeu que o município ficava melhor servido com recurso ao leasing, permitindo que no final as viaturas ficassem para a autarquia. O autarca do PS disse que seria interessante que fosse feito um estudo comparativo entre o que se gasta com o aluguer operacional e o que se gastaria com o leasing.
O presidente João Leite (PSD) entrou no debate para afirmar que se trata de uma opção de gestão que vem sendo seguida há vários mandatos, vincando que foi eleito pela população para gerir o município e tomar decisões. O objectivo é ter sempre uma frota renovada e pouco onerosa em manutenção, não fechando as portas à aquisição de alguns dos veículos no final de cada contrato de aluguer, como vai acontecer agora com uma dúzia de viaturas que se encontram em boas condições.

Santarém não é Almeirim
Paulo Caetano insistiu na defesa da opção leasing e João Leite, ressalvando que não pretendia melindrar ninguém, referiu que a escala do concelho de Santarém comparável com a de Almeirim “é completamente diferente”, numa alusão ao facto de a bancada socialista ter nas suas fileiras o ex-presidente e o ex-vice-presidente da Câmara de Almeirim, Pedro Ribeiro e Paulo Caetano, respectivamente, e ainda uma técnica superior desse município, Cláudia Afonso. A referência ao concelho vizinho foi contestada por Paulo Caetano, que criticou as constantes menções de João Leite a Almeirim em reuniões de câmara, desabafando que “não lhe fica bem” e que “a campanha eleitoral já acabou”.
João Leite respondeu com ironia dizendo que “não é fácil olhar para a minha esquerda e não me lembrar de Almeirim”, numa alusão à disposição dos eleitos nas reuniões de câmara, pedindo a Paulo Caetano para não levar a mal nem se sentir minimizado com as suas palavras.
Pedro Ribeiro entrou na liça para afirmar que a Câmara de Santarém recorre sistematicamente ao outsourcing (contratação externa), que “custa muito mais dinheiro mas dá menos trabalho”. Aí, foi a vez de João Leite responder que não se revia nesse tipo de declarações que, na sua perspectiva, punha em causa o profissionalismo dos funcionários municipais. O que Pedro Ribeiro refutou, vincando que as suas palavras dirigiam-se aos políticos que gerem e tomam as decisões e não aos funcionários que têm que as executar. A finalizar, João Leite ainda deu troco, acusando o líder da bancada socialista de recorrer à “desinformação” e à “inverdade” nas redes sociais. “Seja honesto intelectualmente, que é esse o dever de quem está nesta casa”, atirou.

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