Reunião com ministro em Benavente gera críticas de desrespeito institucional no executivo
Uma reunião considerada histórica pela presença de um ministro acabou por expor divisões no executivo municipal de Benavente, com acusações de falta de transparência, respostas duras e leituras opostas sobre a forma como foi conduzido um encontro decisivo para o futuro do concelho.
A reunião realizada no dia 9 de Janeiro, em Benavente, com o ministro das Infraestruturas e Habitação, Miguel Pinto Luz, dedicada ao projecto do novo aeroporto Luís de Camões, gerou críticas no seio do executivo municipal, com a oposição a acusar a presidente da câmara de falta de transparência e de desrespeito institucional.
Os vereadores da CDU, PS e Chega afirmaram, em reunião do executivo, que foram chamados apenas para a parte final do encontro, alegando que a reunião decorreu em dois momentos distintos, tendo a oposição ficado afastada da fase inicial. Catarina Vale (CDU) classificou a situação como um desrespeito institucional, político e protocolar, defendendo que todos os eleitos devem ter acesso pleno à informação sobre matérias estruturantes para o concelho. Pedro Gameiro (PS) disse ter tido acesso apenas a “meia reunião” e manifestou preocupação com a eventual exclusão de informações relevantes, nomeadamente sobre os condicionamentos territoriais associados ao aeroporto. Frederico Antunes (Chega), reconhecendo o carácter excepcional da visita ministerial, considerou que a importância do projecto exigia maior inclusão e questionou publicamente a posição da presidente da câmara quanto às diferentes opções para o traçado das pistas.
A presidente da Câmara de Benavente, Sónia Ferreira, rejeitou qualquer intenção de exclusão, sublinhando que o ministro quis reunir com a presidente da autarquia e que poderia tê-lo feito de forma reservada. A autarca explicou que o encontro teve um primeiro momento de natureza técnica, com técnicos municipais, juristas, arquitectos e presidentes de junta das freguesias mais directamente afectadas, seguindo-se uma segunda fase de carácter informativo, aberta aos restantes vereadores, durante a qual o ministro respondeu às questões colocadas. Sónia Ferreira reiterou que a sua posição passa pela defesa dos interesses das populações, em particular da freguesia de Santo Estêvão, e anunciou a realização de futuras reuniões com técnicos e associações de moradores para esclarecimento das opções em estudo e avaliação de medidas de mitigação dos impactos do projecto.


