Política | 01-02-2026 07:00

Reunião com ministro em Benavente gera críticas de desrespeito institucional no executivo

Reunião com ministro em Benavente gera críticas de desrespeito institucional no executivo
Hélio Justino e Catarina Vale, da CDU, a par dos eleitos do Chega e do PS, mostraram insatisfação por terem sido convidados apenas para uma parte do encontro com Miguel Pinto Luz - foto O MIRANTE

Uma reunião considerada histórica pela presença de um ministro acabou por expor divisões no executivo municipal de Benavente, com acusações de falta de transparência, respostas duras e leituras opostas sobre a forma como foi conduzido um encontro decisivo para o futuro do concelho.

A reunião realizada no dia 9 de Janeiro, em Benavente, com o ministro das Infraestruturas e Habitação, Miguel Pinto Luz, dedicada ao projecto do novo aeroporto Luís de Camões, gerou críticas no seio do executivo municipal, com a oposição a acusar a presidente da câmara de falta de transparência e de desrespeito institucional.
Os vereadores da CDU, PS e Chega afirmaram, em reunião do executivo, que foram chamados apenas para a parte final do encontro, alegando que a reunião decorreu em dois momentos distintos, tendo a oposição ficado afastada da fase inicial. Catarina Vale (CDU) classificou a situação como um desrespeito institucional, político e protocolar, defendendo que todos os eleitos devem ter acesso pleno à informação sobre matérias estruturantes para o concelho. Pedro Gameiro (PS) disse ter tido acesso apenas a “meia reunião” e manifestou preocupação com a eventual exclusão de informações relevantes, nomeadamente sobre os condicionamentos territoriais associados ao aeroporto. Frederico Antunes (Chega), reconhecendo o carácter excepcional da visita ministerial, considerou que a importância do projecto exigia maior inclusão e questionou publicamente a posição da presidente da câmara quanto às diferentes opções para o traçado das pistas.
A presidente da Câmara de Benavente, Sónia Ferreira, rejeitou qualquer intenção de exclusão, sublinhando que o ministro quis reunir com a presidente da autarquia e que poderia tê-lo feito de forma reservada. A autarca explicou que o encontro teve um primeiro momento de natureza técnica, com técnicos municipais, juristas, arquitectos e presidentes de junta das freguesias mais directamente afectadas, seguindo-se uma segunda fase de carácter informativo, aberta aos restantes vereadores, durante a qual o ministro respondeu às questões colocadas. Sónia Ferreira reiterou que a sua posição passa pela defesa dos interesses das populações, em particular da freguesia de Santo Estêvão, e anunciou a realização de futuras reuniões com técnicos e associações de moradores para esclarecimento das opções em estudo e avaliação de medidas de mitigação dos impactos do projecto.

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