Hélder André encontra Junta de Olhalvo sem capacidade de investimento e com equipamentos ilegais
Sem margem financeira para investir, com equipamentos obsoletos e máquinas que não podem circular legalmente, o novo presidente da Junta de Freguesia de Olhalvo, Hélder André, diz ter encontrado uma autarquia limitada à gestão corrente, apesar de não ter herdado qualquer dívida do anterior executivo socialista.
O presidente da Junta de Freguesia de Olhalvo, Hélder André, afirma que encontrou uma autarquia sem margem para investimento, apesar de o anterior executivo não ter deixado qualquer dívida. A ausência de uma transição formal, os constrangimentos financeiros e a falta de meios materiais marcam o início do mandato do novo executivo. Eleito pela coligação TODOS (PPD/PSD.CDS-PP.IL.PPM.MPT.NC), Hélder André refere que a entrada em funções ficou marcada pela inexistência de um processo de transição por parte do anterior executivo socialista, embora sublinhe que não foi herdada qualquer dívida.
Em declarações a O MIRANTE, o autarca explica que encontrou uma junta “sem margem para investimento”, com o orçamento praticamente comprometido com despesas correntes, como salários, subsídio de Natal e encargos fixos. “O anterior executivo não deixou um cêntimo de dívida, isso quero que fique bem claro, mas também não deixou disponibilidade financeira para investimento”, afirmou. Apesar das dificuldades, o presidente destaca a qualidade dos recursos humanos da autarquia, elogiando funcionários operacionais e administrativos. “Tenho duas funcionárias excelentes, dois funcionários da rua do melhor que há. Na secretaria, uma das pessoas está cá há 43 anos. Sem ela, seria impossível gerir uma junta desta dimensão”, sublinhou.
Hélder André admite que tem sido frequentemente questionado pela população sobre o dinheiro deixado pelo anterior executivo. Nesse sentido, esclareceu, através de comunicado, que a verba existente se destinava exclusivamente a assegurar o funcionamento corrente da junta. “Criou-se a ideia de que havia muito dinheiro, o que não corresponde à realidade. O orçamento é muito curto”, explicou, referindo que o orçamento deste ano, superior a 200 mil euros, já foi aprovado em assembleia de freguesia.
Ligado ao movimento associativo, o presidente assume-se como novo na política, mas garante que sempre teve como objectivo presidir à Junta de Freguesia de Olhalvo. Num território tradicionalmente governado pelo PS, assegura que exerce o mandato com “consciência tranquila”, prometendo um trabalho “honesto, sério e próximo das pessoas”. Entre as prioridades do actual executivo estão a melhoria dos caminhos vicinais, a reorganização do estacionamento e a realização de intervenções estruturais que evitem sucessivas pequenas reparações dispendiosas. O presidente acredita que será possível avançar com alguns projectos com “boa vontade” e com o apoio da Câmara Municipal de Alenquer, tal como aconteceu em mandatos anteriores.
São necessários novos equipamentos
O autarca revela ainda que o novo executivo encontrou uma situação “muito preocupante” no que respeita aos meios materiais e às condições de trabalho. Segundo Hélder André, a junta dispõe de uma máquina utilizada nos caminhos vicinais que não tem matrícula, o que impede a sua circulação legal na via pública. Situação idêntica ocorre com uma retroescavadora de pequena dimensão, cujo processo de legalização terá sido iniciado há cerca de oito anos. Relativamente aos equipamentos de trabalho, refere que algumas roçadoras, apesar de funcionais, não oferecem condições adequadas para um dia inteiro de trabalho. “Eu não queria andar meia hora com aquilo às costas, quanto mais um dia inteiro. As pessoas são seres humanos”, frisou, acrescentando que o executivo pretende adquirir novos equipamentos.
A junta não dispõe de garagem própria para guardar viaturas e maquinaria, sendo obrigada a pagar renda por um armazém que, segundo o presidente, não reúne condições, “onde chove como na rua e não há luz nem água”, o que acaba por representar mais despesas.
PS Alenquer reage em comunicado
O Partido Socialista de Alenquer reagiu através de um comunicado divulgado nas redes sociais, na sequência das declarações públicas do presidente da Junta de Freguesia de Olhalvo. O PS refere que o anterior mandato deixou uma disponibilidade financeira líquida de quase 30 mil euros, sem dívidas, considerando que a existência de despesas correntes não demonstra falta de estabilidade financeira. No comunicado, os socialistas manifestam “perplexidade” perante a desvalorização de uma reserva de cerca de 29.200 euros numa freguesia de pequena dimensão. “O valor deixado em conta bancária corresponde a cerca de 37% da verba anual recebida do Governo, tratando-se de um dos melhores indicadores de solvabilidade e estabilidade financeira entre as freguesias da região”, lê-se na nota.
“A junta não é uma seita religiosa”
Hélder André, 57 anos, é comerciante. Diz ter poucas habilitações académicas e abriu uma oficina aos 19 anos. Nasceu e cresceu em Olhalvo, onde pretende continuar a viver “até morrer”. Assume-se como uma pessoa directa e sem rodeios. Desde que tomou posse, diz ter perdido amizades por questões partidárias. Defende que uma junta de freguesia não deve funcionar como uma bolha fechada. “A junta não é uma seita religiosa. As pessoas têm de saber o que lá se passa”, afirma.
Quanto à relação com a Câmara Municipal de Alenquer, liderada por João Nicolau (PS), filho do antigo presidente da Junta de Olhalvo, António Nicolau (PS), Hélder André diz estar confiante e rejeita conflitos políticos. “Não quero guerras. Quero trabalhar pelo bem da freguesia. Sou um presidente presente, vou aos cafés, falo com toda a gente. A política não tem de ser guerra”, afirmou.
Sobre a polémica em torno da instalação de contentores enterrados na freguesia, o autarca garante que a junta não foi formalmente ouvida neste mandato e que, caso tenha havido contactos no mandato anterior, não lhe foi dada qualquer informação. “No e-mail institucional da junta não existe qualquer comunicação. Se houve contactos anteriores, não nos foi passada a pasta. Agradecemos que a câmara nos envie a data e o e-mail que foi enviado para a junta”, concluiu.


