Política | 08-02-2026 15:00

Namorada de vereador do Chega em VFX nomeada para assessora

Namorada de vereador do Chega em VFX nomeada para assessora
Briana Batalha e Carlos Alvarenga numa visita de André Ventura a Vila Franca de Xira em Dezembro do ano passado - foto DR

Grupo de vereadores na Câmara de Vila Franca de Xira nomeou a namorada de um deles, Carlos Alvarenga, para prestar serviços de assessoria. Vereador diz que não se trata de um “tacho” mas de reconhecimento das qualidades de Briana Batalha, jovem militante do Chega e deputada municipal em Azambuja.

O grupo municipal do Chega na Câmara de Vila Franca de Xira nomeou Briana Batalha, namorada do vereador Carlos Alvarenga, para assessora. A escolha, refere este último em declarações a O MIRANTE, foi da exclusiva responsabilidade dos três vereadores sem pelouro naquele município, que viram na jovem de 20 anos qualidades para desempenhar um cargo de nomeação que exige “máxima confiança política”.
“Não é nenhuma paraquedista da política, é alguém que sempre trabalhou e foi leal ao partido”, refere o vereador e actual presidente da concelhia do Chega de Vila Franca de Xira, que mantém há mais de um ano uma relação amorosa com Briana Batalha, que frequentou o curso de Psicologia, presidente da concelhia do Chega em Azambuja e líder da bancada do partido na Assembleia Municipal de Azambuja. Além de ir assessorar o namorado, Briana Batalha é colega de trabalho de Carlos Alvarenga numa conhecida empresa de imobiliário, onde aparece no site da empresa como “agente em formação”.
Carlos Alvarenga, que confirma a relação amorosa, diz que esta decisão política não se pode comparar a um “tacho” nem a situações de “conflito de interesses ou trocas de favores”. Trata-se, defende, de uma escolha baseada nas qualidades de Briana Batalha para um cargo que, considera, é mal pago para a exigência que acarreta em termos de disponibilidade horária e responsabilidade. Além disso, diz em jeito de pergunta, “quantos não colocam a juventude dos partidos nestes cargos?”.
Briana Batalha vai auferir 1.600 euros mensais para prestar apoio técnico ao trio de vereadores durante 47 meses, totalizando um montante de 75.200 euros pago pela Câmara de Vila Franca de Xira através de contrato celebrado com o grupo do Chega. Um partido que, sobretudo através do seu líder e actual candidato a Presidente da República, André Ventura, se tem afirmado contra o “sistema de interesses” numa luta declarada aos “tachistas”.
O vereador do Chega confessa ainda que chegaram a propor o cargo a outras pessoas ligadas ao partido e que são conhecedoras do concelho de Vila Franca de Xira, mas nenhuma aceitou. “É difícil alguém trocar um trabalho estável por esta avença que é algo inseguro, porque se o gabinete de vereação decidir entender rescinde com a pessoa”, afirma.
A Câmara de Vila Franca de Xira é presidida pelo socialista Fernando Paulo Ferreira e conta no executivo autárquico com três vereadores do PS com pelouros e sete vereadores sem pelouros atribuídos: três da coligação Nova Geração (PSD/IL) - David Pato Ferreira, Fábio Mousinho Pinto e Rita Antunes; três do partido Chega - Barreira Soares, Carlos Alvarenga e Bárbara Fernandes; e uma vereadora da CDU, Cláudia Martins.

À margem

À mulher de César não basta ser honesta

Não é incomum, na história deste país, casos de autarcas, ministros ou deputados à Assembleia da República, que nomearam pessoas próximas para cargos políticos, incluindo amigos e familiares ou familiares de amigos eleitos. Nomeações directas ou cruzadas vindas de pessoas de vários partidos, para adjuntos ou assessores que o Chega tanto diz que quer combater. Um “Limpar Portugal” de compadrios, amiguismos e nepotismos vertido em discursos e cartazes espalhados por este país fora. Mas estará a fazer o partido o que tanto prega? Já diz o velho ditado que à mulher de César não basta ser honesta, também deve parecer... .

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