Política | 09-02-2026 20:25

Proposta socialista sobre apoios a festas animou reunião da Câmara de Santarém

Proposta socialista sobre apoios a festas animou reunião da Câmara de Santarém

O PS queria a atribuição de um bolo de meio milhão de euros para apoiar festas nas freguesias rurais do concelho de Santarém, mas a proposta foi chumbada pela AD e pelo Chega. Pelo meio, o debate subiu de tom.

Uma proposta da bancada do PS na Câmara de Santarém que defendia a atribuição de um montante de 500 mil euros para apoiar festas em 18 freguesias do concelho, com excepção da União de Freguesias da Cidade, foi chumbada pela bancada da AD (PSD/CDS) e pelo vereador do Chega. A ideia já vinha da campanha eleitoral para as autárquicas, quando o cabeça de lista socialista, Pedro Ribeiro, criticou os gastos com eventos organizados pelo município na cidade e defendia canalizar um terço desse bolo – que estimou em 1,5 milhões de euros – para apoiar festas nas chamadas freguesias rurais.

Tanto o PSD como o Chega consideraram a proposta pouco fundamentada e com um critério baseado exclusivamente na população de cada freguesia, que foi considerado insuficiente e eventualmente propiciador de desigualdades. O vereador do Chega, Pedro Correia, considerou mesmo que a proposta lhe fazia “confusão”, por querer “desorçamentar” grandes eventos que dão projecção e levam muitos visitantes à cidade.

Mais incisivo foi o presidente da câmara, João Leite (PSD), que acusou Pedro Ribeiro de insistir em criar “ruído público” em torno do assunto, ao referir com frequência os gastos da autarquia com grandes eventos - como o Festival Nacional de Gastronomia, o Reino de Natal, as Festas de São José ou as Cortes e Lendas -, para tentar colar uma ideia de despesismo ao seu principal adversário nas últimas eleições autárquicas e agora presidente do município.

João Leite disse que a proposta era “demagógica e populista” e confessou a sua surpresa por ver como subscritor o vereador socialista Nuno Domingos, que no anterior mandato teve o pelouro da Cultura no âmbito do acordo de governação entre PSD e PS. Questionou ainda por que razão a proposta do PS não mencionava, na relação de gastos com grandes eventos, os custos de iniciativas culturais tuteladas pelo pelouro de Nuno Domingos no anterior mandato, como o Festival de Órgão de Santarém ou o Verão in.Santarém. E enumerou os orçamentos de algumas actividades e programações – como a do Verão in.Santarém e a do Teatro Sá da Bandeira - que, somadas, atingiram os 900 mil euros em 2025.

O presidente garantiu que a Câmara de Santarém já apoia festas e festivais em todas as freguesias do concelho, até em valor superior ao que o PS defendia na sua proposta. Afirmou que há uma política activa de apoio ao associativismo, à itinerância cultural e à criação de públicos, referindo que os grandes eventos não concorrem com as festas das freguesias e são fundamentais para a notoriedade do território, para atrair visitantes e dinamizar a economia local. O autarca terminou manifestando a sua abertura para rever e melhorar o regulamento do programa de apoio às actividades culturais, garantindo que o que pretende é mais cultura e dinâmica associativa e menos ruído.

Nuno Domingos retorquiu dizendo que, no anterior mandato, esteve ligado à programação cultural e não à realização de grandes eventos, até porque havia um pelouro específico para essa área, tutelado por João Leite. E realçou a importância de o município apoiar festividades marcantes fora da sede de concelho, dando como exemplo a Festa de Amiais de Baixo. Deixou também a ressalva de que o programa de apoio a actividades culturais não se destina a apoiar festas, mas está disponível para discutir o assunto.

Ainda em defesa da sua proposta, Pedro Ribeiro disse estar aberto à revisão dos critérios para atribuição dos apoios e vincou que não sugeriu a retirada de orçamento a nenhum evento em concreto.

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