Política | 11-02-2026 07:00

Tomar vai ter meses de recuperação pela frente

Tomar vai ter meses de recuperação pela frente

Mais de duas semanas depois da passagem da tempestade Kristin, o concelho de Tomar continua a contar feridas: centenas de ocorrências registadas, pessoas ainda sem electricidade e um processo de recuperação que, segundo o presidente da câmara, poderá prolongar-se por meses.

A tempestade Kristin provocou centenas de ocorrências no concelho de Tomar, afectando habitações, escolas e infraestruturas, com clientes ainda sem energia eléctrica, revelou à Lusa o presidente da Câmara Municipal, Tiago Carrão. Quase duas semanas após o temporal, o autarca admitiu que “o processo de recuperação ainda está longe de concluído”, sublinhando que o município tem “plena consciência das dificuldades que persistem” e que, nos próximos dias e semanas, “haverá muito trabalho em habitações, infraestruturas e serviços essenciais”.
O Plano Municipal de Protecção Civil foi activado às 08:10 de 28 de Janeiro e mantém-se em vigor, com o posto de comando operacional instalado no edifício municipal. Entre a madrugada desse dia e o domingo seguinte foram registadas 723 ocorrências, número que, segundo o autarca, “subestima a realidade” devido a falhas de comunicação nos primeiros dias. As situações reportadas incluem 313 quedas de árvores, 150 intervenções com colocação de lonas e danos em telhados, 68 desabamentos, 53 inundações, 20 quedas de postes e 121 outros serviços, como sinalização de vias e problemas no abastecimento de água.
Tiago Carrão destacou o trabalho “incansável” dos serviços municipais e parceiros, com equipas de bombeiros de Tomar, Entroncamento e Torres Novas, sapadores florestais, corporações da Grande Lisboa e o Exército ainda no terreno, a apoiar famílias nas habitações mais afectadas. “Todos os esforços estão concentrados em garantir assistência às pessoas”, frisou. A rede eléctrica foi um dos setores mais afectados, com mais de 380 quilómetros de linhas de média tensão danificados, 40 unidades de média tensão e mais de 200 de baixa tensão derrubadas.
Na área da habitação, a unidade de missão municipal registou 585 ocorrências, das quais 395 dizem respeito a casas particulares. As equipas técnicas já percorreram todas as freguesias, realizando intervenções de emergência e reparações sempre que possível, com prioridade às situações mais vulneráveis. Foram ainda registadas intervenções em 16 edifícios escolares, dezenas de habitações, 12 edifícios e equipamentos municipais, incluindo pavilhões, complexo desportivo, sinagoga e centros de saúde, e 146 acções no arvoredo. No total foram limpos mais de 250 quilómetros de vias e consumidos mais de seis mil litros de gasóleo em geradores e máquinas. No plano social, o município realojou 20 famílias, assegurou mais de 600 refeições e realizou mais de 200 banhos quentes. Houve também apoio psicológico, disponibilização de espaços de ‘coworking’ e da biblioteca municipal, criação de uma bolsa de voluntariado com quase 200 inscritos e mecanismos de apoio a candidaturas e seguros.
Apesar de a situação estar “mais estabilizada”, o presidente da câmara deixou um aviso claro: “Prevemos ainda semanas ou meses de trabalho”. O município entra agora numa fase mais planeada, com o lançamento do programa municipal “Recuperar Tomar”, que irá incluir medidas de apoio a famílias, empresas, associações e instituições.

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