Nuno Mira trava auditoria na Chamusca e fala em “atitudes persecutórias” contra funcionários
Presidente da câmara considera “desnecessária” auditoria financeira pedida pela oposição e avisa que avançar sem indícios de irregularidades seria colocar em causa a idoneidade de quem trabalha no município. Oposição rejeita acusações.
A reunião de câmara da Chamusca, realizada na terça-feira, 17 de Fevereiro, ficou marcada por uma troca acesa de argumentos entre o presidente do município, Nuno Mira, e o vereador da oposição, Rui Martinho, a propósito da realização de uma auditoria financeira às contas da autarquia. Em causa está um pedido apresentado pela oposição logo na primeira reunião do mandato, em Novembro, para a realização de uma auditoria externa à situação financeira do município. Três propostas foram entretanto solicitadas pelo executivo, com valores entre os 28 mil e 34 mil euros. Ainda assim, Nuno Mira entende que a despesa “não faz sentido” e que insistir numa auditoria sem factos concretos pode transmitir a ideia de perseguição.
Durante a reunião, Rui Martinho recordou que tinham sido solicitadas propostas a três empresas e questionou a ausência de informação detalhada sobre o período temporal abrangido. Segundo o presidente, deram entrada no município três orçamentos. Nuno Mira admitiu que as propostas serão enviadas aos vereadores para conhecimento formal, mas deixou claro que, após ouvir os serviços financeiros e o revisor oficial de contas, considera que não existe fundamento para avançar. “Não faz sentido o município despender cerca de 30 mil euros numa auditoria quando não há qualquer indicação de irregularidade”, afirmou.
“Não contem comigo para atitudes persecutórias”
O momento mais tenso surgiu quando o presidente declarou que uma auditoria geral, sem suspeitas concretas, poderia assumir contornos persecutórios. Segundo Nuno Mira, a câmara é auditada regularmente, os documentos seguem para o Tribunal de Contas e, até ao momento, não existe qualquer alerta por parte dos serviços de contabilidade, chefias de divisão ou do revisor oficial de contas que justifique uma auditoria extraordinária. “Até prova em contrário, as pessoas que aqui estiveram são idóneas e honestas”, sublinhou, frisando que não tem qualquer relação pessoal com o anterior presidente, mas que existe “respeito institucional” que deve ser preservado. Para o autarca, avançar com uma auditoria financeira global seria “assumir que há dúvidas sobre a idoneidade das pessoas” e passar uma mensagem injusta para os funcionários municipais. “Não contem comigo para ter atitudes persecutórias em relação a quem cá esteve antes”, afirmou.
Rui Martinho rejeitou qualquer intenção de perseguição e recordou que, na ata da reunião de 7 de Novembro de 2025, ficou registado que o pedido de auditoria “não era por desconfiança de nada nem de ninguém”, mas para que o novo mandato começasse “com confiança plena”. O vereador questionou ainda por que motivo foram pedidos orçamentos se, afinal, o executivo não considera necessária a auditoria. Nuno Mira respondeu que, quando tomou posse, tinha apenas “meia dúzia de dias” no cargo e que, entretanto, após ouvir os serviços e analisar a situação, concluiu que a auditoria não se justifica.
Perante o impasse, o presidente admitiu levar o assunto a votação para que fique claro “quem é a favor e quem é contra”, mas a decisão foi adiada para a próxima reunião, após envio formal das propostas aos vereadores.


