Vasco Cunha nega “lei da rolha” na Assembleia Municipal do Cartaxo
Sessão da Assembleia Municipal do Cartaxo ficou marcada por uma troca acesa de palavras entre o deputado da CDU Orlando Casqueiro e o presidente da mesa, Vasco Cunha. Em causa esteve o tempo de intervenção do eleito comunista, que acusou a presidência de aplicar uma “lei da rolha”, acusação rejeitada de imediato por Vasco Cunha, que invocou a proporcionalidade democrática e o cumprimento da lei.
A reunião da Assembleia Municipal do Cartaxo, realizada a 25 de Fevereiro, ficou marcada por um confronto entre Orlando Casqueiro, deputado da CDU, e Vasco Cunha, presidente daquele órgão autárquico. A polémica surgiu quando Orlando Casqueiro, que intervinha sobre a responsabilização de empresas como a Cartágua e a E-Redes na garantia de serviços em situações de emergência, foi avisado de que tinha esgotado o tempo disponível para usar da palavra. O deputado comunista não se ficou e acusou a mesa de tentar limitar o debate político. “Esta lei da rolha é, de facto, indigna e é antidemocrática, porque há problemas gravíssimos no nosso concelho e que nós não temos possibilidade de os colocar”, atirou.
Vasco Cunha respondeu de forma directa, recusando a acusação. “Não há nenhuma lei da rolha, como sabe”, afirmou, sustentando que os tempos de intervenção resultam da representatividade de cada força política e do número de votos obtidos nas últimas eleições. “Não posso fazer mais, não me peça para ir fazer campanha eleitoral consigo”, disse ainda o presidente da assembleia, numa resposta que adensou o clima de tensão.
Orlando Casqueiro acusou também o executivo de ter alterado o regimento depois de tomar posse, classificando essa mudança como antidemocrática. Vasco Cunha contrapôs que a CDU tem representação na Assembleia da República e que, se entende que a lei deve ser alterada, pode promover essa iniciativa por via legislativa, sublinhando que a mesa se limita a cumprir as regras em vigor. No final da sessão, Vasco Cunha apresentou os tempos de intervenção usados por cada bancada para contrariar a ideia de uma alegada limitação à CDU. Segundo os números divulgados, a CDU, com um único eleito, usou 21 minutos. O Partido Socialista, com sete eleitos, utilizou 31 minutos, enquanto o Chega, com três eleitos, registou 32 minutos. Com esses dados, o presidente da Assembleia Municipal do Cartaxo concluiu que a chamada “lei da rolha” está longe de se aplicar naquele órgão.


