Política | 13-03-2026 10:00

Letargia no PSD de Santarém: pouca participação e nenhuma disputa interna

Letargia no PSD de Santarém: pouca participação e nenhuma disputa interna
Ricardo Oliveira não teve concorrência na eleição para a liderança distrital do PSD, em que votaram quatro centenas de militantes - foto O MIRANTE

O PSD não existe em vários concelhos do distrito de Santarém e é um retrato de desmobilização e de apatia. Nas eleições para a estrutura distrital e para as concelhias votaram, no total, pouco mais de quatrocentos militantes. Ricardo Oliveira acabou reeleito líder distrital, mas está longe de ser um político carismático e empolgante.

O PSD está imerso numa profunda letargia no distrito de Santarém e isso reflectiu-se nas eleições internas para as concelhias e para a comissão política distrital, em que, no total, votaram 436 militantes. O partido está a viver à conta dos rendimentos das recentes vitórias eleitorais nas legislativas e autárquicas e consequente exercício de poder no Governo central e em muitos municípios do país e da região. Por isso, não é hora de levantar ondas, mesmo sabendo-se que está longe de ser carismática e mobilizadora a liderança distrital de Ricardo Oliveira - um protegido do anterior líder, João Moura, que acumula o cargo de deputado à Assembleia da República com o de presidente da Junta de Freguesia de Santo Estêvão.
Um bom sinal do aparente unanimismo que se vive no PSD é o facto de não ter havido disputa em nenhuma das eleições para as concelhias e para a distrital de Santarém do PSD. O que deve ser inédito no historial de um partido conhecido pelas suas facções e tendências. Sintoma evidente da desmobilização e desinteresse é o facto de algumas concelhias estarem desactivadas - como as de Alcanena (onde o PSD é poder), Alpiarça e Constância -, de em Torres Novas não terem surgido listas para a concelhia, bem como as enfezadas votações registadas na maior parte dos concelhos, com apenas dois (Santarém e Ourém) a superarem a fasquia dos cinquenta (50) votantes.
O número de votantes por concelho foi o seguinte, segundo números oficiais disponíveis no site do PSD: Abrantes (22); Almeirim (11); Benavente (40); Cartaxo (18); Chamusca (4); Coruche (12); Entroncamento (25); Ferreira do Zêzere (10); Golegã (12); Mação (33); Rio Maior (32); Salvaterra de Magos (9); Santarém (78); Sardoal (5); Tomar (48); Torres Novas (14); Ourém (53) e Vila Nova da Barquinha (9).
Para se ter uma ideia comparativa, no vizinho concelho de Vila de Rei, já no distrito de Castelo Branco, que tem pouco mais de três mil habitantes, votaram mais militantes (75) para a respectiva concelhia do que em quase todas as concelhias ribatejanas. Já para não falar da Sertã, outro concelho beirão confinante com o distrito de Santarém, onde votaram 117 militantes, mais do que em qualquer concelhia ribatejana.
Contas feitas, e como apenas surgiram listas únicas para as concelhias e para a distrital, não surpreende que as percentagens dos vencedores tenham sido ‘norte-coreanas’, todas próximas ou a atingirem mesmo os 100%. Que ainda houvesse quem fizesse questão de exaltar essa façanha publicamente já parece um pouco bizarro, mas cada um é livre de festejar as vitórias como entende, mesmo que seja um triunfo por falta de comparência.

Os eleitos
Ricardo Oliveira foi reeleito líder distrital para o mandato 2026/2028, com 91% de votos favoráveis entre os 436 eleitores, tendo-se ainda registado 29 votos em branco e 9 votos nulos. A Comissão Permanente Distrital passa a ser composta, além de Ricardo Oliveira, pelos vice-presidentes Inês Barroso (Santarém) e Luís Albuquerque (Ourém), pelo secretário Rui Rufino (Chamusca) e pelo tesoureiro João Lopes Candoso (Rio Maior). Integram ainda a estrutura como vogais Lurdes Ferromau (Tomar), Tiago Ferreira (Torres Novas), João Morgado (Abrantes), Teresa Nogueira (Cartaxo), Joana Ramos (Sardoal), Hugo Azevedo (Ferreira do Zêzere), Vasco Marques (Mação) e Isabel Carloto (Entroncamento).
Quanto aos presidentes de concelhia eleitos, de que tivemos conhecimento, são: João Leite (Santarém); Liliana Patrício (Coruche); Ricardo Carlos (Tomar); Filipe Santana Dias (Rio Maior); João Heitor (Cartaxo): Luís Feitor (Benavente); e Tiago Cação (Salvaterra de Magos).

“Muita gente não está para se chatear”

Há um ano, quando confrontámos o líder distrital do PSD com o facto de o partido não ter representação em seis concelhos do distrito, Ricardo Oliveira reconhecia a O MIRANTE que não conseguem “inventar pessoas” que queiram dar parte do seu tempo para a actividade político-partidária. “Se as pessoas não quiserem trabalhar é difícil encontrar soluções. Isto é tudo muito bonito mas dá trabalho e muita gente não está para se chatear”, desabafava Ricardo Oliveira.

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