Vale das Mós volta a incendiar debate em Abrantes com acusações de bloqueio político
Desagregação da União de Freguesias de São Facundo e Vale das Mós voltou a aquecer a Assembleia Municipal de Abrantes, com críticas duras à alegada demora no processo e à hipótese de um referendo local.
A possível desagregação da União de Freguesias de São Facundo e Vale das Mós voltou a marcar o período de intervenção do público na sessão da Assembleia Municipal de Abrantes, realizada a 27 de Fevereiro. Manuel Vitória, um dos defensores da reposição da freguesia autónoma, acusou os responsáveis políticos de atrasarem o processo e criticou a recente proposta de realização de um referendo local sobre o tema. O munícipe recordou que o processo teve início em 2022, tendo sido aprovado por unanimidade na assembleia de freguesia, seguindo depois para a câmara e para a assembleia municipal, onde também obteve parecer favorável. Segundo afirmou, apesar do consenso inicial entre diferentes forças políticas, o processo acabou por ficar parado e enfrenta agora novos entraves. Manuel Vitória criticou ainda a decisão recente da assembleia de freguesia de admitir a possibilidade de realizar um referendo para ouvir a população, considerando que essa consulta deveria ter acontecido antes das deliberações políticas já tomadas.
O tema tem mobilizado a população local nas últimas semanas. Na reunião da Junta da União de Freguesias de São Facundo e Vale das Mós, realizada a 23 de Fevereiro, dezenas de habitantes encheram a sala para exigir a desagregação da localidade e a reposição da freguesia autónoma. No final dessa reunião, o executivo da junta manifestou-se favorável à desanexação de Vale das Mós, com a abstenção do presidente. A decisão foi recebida com aplausos pelos presentes, muitos dos quais classificaram o momento como “histórico”, num território com cerca de 600 a 700 habitantes e aproximadamente 500 eleitores.
Vale das Mós foi criada como freguesia autónoma a 4 de Outubro de 1985, após a desanexação de São Facundo. Em 2013, no âmbito da reforma administrativa nacional, passou a integrar a actual união de freguesias. Em Abril de 2022, a assembleia de freguesia aprovou por unanimidade a desagregação e o processo recolheu parecer favorável da Câmara e da Assembleia Municipal de Abrantes. No entanto, não chegou a dar entrada na Assembleia da República dentro do prazo previsto no regime simplificado, ficando fora da lista de freguesias que avançaram nessa fase.


