Entroncamento aplica mais de duas dezenas de multas por deposição indevida de lixo
Deposição ilegal de resíduos continua a manchar a imagem da cidade. Na reunião de câmara, autarcas admitiram dificuldades na fiscalização, sobretudo durante a noite, e discutiram novas soluções, entre elas ecocentros de proximidade e a adaptação futura ao sistema PAYT, que poderá mudar por completo o actual modelo de contentores.
A gestão dos resíduos urbanos voltou a aquecer o debate na reunião camarária do Entroncamento, onde foi revelado que já foram levantados 23 autos de contraordenação por deposição indevida de lixo. Apesar desse número, a discussão deixou claro que o problema está longe de estar resolvido e que a autarquia continua a enfrentar dificuldades em travar comportamentos que se repetem um pouco por toda a cidade.
O vereador Ricardo Antunes, do PS, começou por reconhecer como positiva a colocação de novos painéis informativos junto aos contentores de resíduos sólidos urbanos, com indicação das coimas aplicáveis. Ainda assim, considerou que as medidas em vigor não chegam para alterar hábitos e alertou para a persistência de monos, restos verdes e outros resíduos abandonados junto a ecopontos e contentores. Na mesma intervenção, o vereador sugeriu que o município estude a criação de ecocentros de proximidade em meio urbano, destinados à deposição de resíduos de maior dimensão, como caixas de cartão, monos ou restos que não cabem nos contentores comuns. Na sua opinião, esta solução será mais eficaz do que aumentar o número de equipamentos na via pública.
O presidente da Câmara do Entroncamento, Nelson Cunha, confirmou que já foram aplicadas 23 multas, adiantando que a maioria foi paga voluntariamente. O autarca reconheceu, no entanto, que a fiscalização tem limitações, sobretudo no período nocturno, altura em que se registam mais situações de deposição indevida. “Não tendo ninguém no terreno à noite, muitas vezes o que fazemos é ir ao lixo e procurar alguma identificação em facturas ou documentos”, explicou. Além das contraordenações, o município tem em curso acções de sensibilização nas escolas, em colaboração com a Protecção Civil, e prevê instalar mais pilhões, oleões e contentores em zonas sinalizadas como carenciadas. Em preparação está também um sistema de videovigilância, que poderá funcionar como factor dissuasor.
Ricardo Antunes deixou ainda um aviso para o futuro: com a obrigatoriedade de implementação do sistema PAYT até 2030, em que cada utilizador pagará pelo lixo que produz, o actual modelo de contentores poderá ter os dias contados. Para o vereador, o Entroncamento deve começar já a pensar numa resposta mais eficaz e ajustada a essa mudança.


