Manuel Valamatos afasta críticas sobre condução de reuniões depois de vereadora o acusar de sexismo
A reunião do executivo municipal de Abrantes ficou marcada por um clima de forte tensão política, com a vereadora do PSD, Ana Oliveira, a acusar o presidente da câmara de sexismo, paternalismo e desrespeito institucional, enquanto o autarca respondeu, sustentando que os trabalhos decorrem dentro do regulamento e que as reuniões “sempre foram assim”.
A tensão subiu de tom na reunião de câmara de Abrantes, com a vereadora do PSD, Ana Oliveira, a acusar o presidente do município, Manuel Valamatos, de falta de respeito institucional, paternalismo e “insinuação sexista”, num confronto político marcado por críticas duras à forma como o executivo conduz os trabalhos. A eleita social-democrata usou o período antes da ordem do dia para denunciar um episódio ocorrido na reunião de 20 de Janeiro, explicando que só agora decidiu abordar publicamente o assunto por entender que, nas duas reuniões seguintes, a prioridade devia estar centrada no socorro às populações.
Ana Oliveira condenou expressões usadas por Manuel Valamatos para classificar as suas intervenções, como “filmes”, “espectáculo” ou “telenovelas”, considerando que essas referências ultrapassam a divergência política e configuram uma desvalorização do papel da oposição. Segundo afirmou, não se tratou apenas de palavras infelizes, mas de uma atitude reveladora de “profunda falta de decoro institucional”. A vereadora do PSD defendeu que o seu dever, enquanto eleita, é levar à reunião de câmara os problemas dos cidadãos e sustentou que desvalorizar as intervenções da oposição representa uma tentativa de silenciamento e uma falta de respeito.
Outra das críticas dirigidas ao presidente incidiu sobre uma comparação feita com o vereador João Morgado. Segundo Ana Oliveira, Manuel Valamatos deixou a ideia de que consegue dialogar com aquele vereador “por serem adultos”, o que, no seu entender, insinuou falta de maturidade da sua parte. A autarca classificou essa postura como “lamentável”, falando mesmo numa atitude “sexista e paternalista”. “A minha maturidade política mede-se pela qualidade das minhas intervenções e pelo rigor das minhas respostas”, afirmou. Ana Oliveira contestou ainda a forma como têm sido geridos os tempos de intervenção nas reuniões, defendendo que o regulamento atribui a cada vereador dez minutos para intervir, não impondo que esse tempo seja usado de forma contínua.
Manuel Valamatos respondeu sem dirigir uma reacção concreta às acusações da vereadora. O presidente da câmara afirmou, de forma genérica, que as reuniões do executivo “sempre foram assim” e decorrem de acordo com o regulamento em vigor, admitindo, no entanto, que as regras podem ser ajustadas se tal vier a revelar-se necessário. O autarca salientou que o actual executivo resulta de eleições democráticas e defendeu que todos os eleitos devem contribuir para prestigiar o órgão e respeitar os cidadãos. Sem referir Ana Oliveira pelo nome, acrescentou que questões individuais e pessoais não entram na sua análise, assegurando que as suas intervenções incidem sempre sobre matérias de carácter geral.


