PS contra reestruturação de serviços em Tomar acusa executivo de esconder impacto financeiro
Reestruturação dos serviços da Câmara de Tomar foi aprovada à tangente e sob forte contestação do PS, que acusa o executivo de falta de transparência e de avançar com uma nova máquina interna sem esclarecer o verdadeiro impacto financeiro. A proposta passou apenas com voto de qualidade.
A reestruturação dos serviços da Câmara de Tomar abriu uma frente de conflito político na reunião do executivo de 9 de Março, com os vereadores do PS a votarem contra a proposta e a acusarem a maioria de falta de transparência sobre os custos reais da medida. O ponto acabou aprovado apenas com recurso ao voto de qualidade, depois de um empate na votação. Hugo Cristóvão, vereador socialista, começou por sublinhar que não está contra uma reorganização dos serviços, mas contestou a forma como o processo foi conduzido e, sobretudo, o peso financeiro que poderá vir a ter para o município. “Governar é perceber que há limites, nomeadamente quando há decisões que vão ter impactos permanentes”, afirmou, alertando para o aumento do número de chefias, que passa de 15 para 37. Segundo o autarca, a nova estrutura poderá representar um encargo superior a um milhão de euros por ano para a câmara. “A questão é o impacto que isto tem para o futuro”, reforçou.
Do lado da maioria, a vice-presidente da autarquia, Célia Bonet (AD PSD/CDS), defendeu que a reestruturação cumpre a lei e resulta de um trabalho de análise feito pela unidade financeira do município. A autarca explicou que o objectivo passa por adequar os trabalhadores às suas competências e garantir uma melhor organização interna, assegurando que só haverá contratações quando tal se justificar. “Quando alteramos o organograma, é para organizar a casa”, disse.
A resposta não convenceu Hugo Cristóvão, que acusou a vice-presidente de contornar a questão essencial. “A senhora falou de tudo, menos do que interessa: o que custa!”, atirou, insistindo que o aumento das chefias não é um detalhe, mas sim um encargo estrutural que ficará para o futuro. O socialista lembrou ainda que esses cargos terão de ser preenchidos, o que, na sua leitura, retira margem de manobra ao município. A contestação subiu de tom com a intervenção da vereadora Filipa Fernandes, também eleita pelo PS, que classificou a situação como “gravíssima”. A autarca recordou que, numa sessão da assembleia municipal, o presidente da câmara, Tiago Carrão, tinha admitido não saber quantificar o impacto da reestruturação por não ser ainda claro se os lugares seriam ocupados com recursos internos ou através de contratação externa. “É gravíssimo que o presidente tenha admitido que não podiam fazer as contas, mas que agora haja estudo e nos tenham feito votar em branco na assembleia”, criticou. E rematou: “Isto é gozar com quem trabalha”.
A proposta acabou aprovada por voto de qualidade, mecanismo que permite ao presidente do órgão exercer um segundo voto para desempatar a deliberação. Foi dessa forma que a reestruturação dos serviços municipais avançou, mas não sem deixar marcada uma forte clivagem política sobre a gestão interna da autarquia e o peso financeiro das opções do executivo.


