Manuela Estevão cada vez mais isolada no Chega de Santarém
Denúncia de Manuela Estevão contra a distrital do Chega em Santarém expôs uma guerra interna e reforçou a ideia de que a líder da concelhia se tornou uma figura cada vez mais isolada dentro do partido no distrito. Entre acusações de intimidação, ostracização de militantes e até uma sede de porta fechada a autarcas eleitos, o conflito revela uma ruptura política e um afastamento entre a estrutura distrital e a concelhia.
A guerra interna no Chega no distrito voltou à ordem do dia depois da presidente da concelhia de Santarém denunciar publicamente um ambiente de “crispação profunda”, “intimidação” e ausência de diálogo com a distrital. A sucessão de episódios e o tom das acusações mostram que Manuela Estevão é, cada vez mais, uma “persona non grata” dentro da estrutura distrital do partido. Em declarações à Lusa, a dirigente descreveu um partido fracturado, com concelhias sem apoio, sem acompanhamento e sem canais de comunicação regulares com a direcção distrital, liderada pelo deputado José Dotti. Segundo Manuela Estevão, o afastamento entre a distrital e as estruturas locais está a comprometer a consolidação do partido na região, criando um ambiente de desconfiança e bloqueio interno num partido que ainda procura afirmar-se no território.
A contestação ganhou corpo com um comunicado subscrito por militantes e autarcas, que fala em mais de 200 membros “ostracizados” pela distrital e acusa José Dotti e o vice-presidente Pedro Correia, vereador na Câmara de Santarém, de cultivarem um estilo de liderança marcado pelo autoritarismo, pela divisão e pelo afastamento de quem discorda. A situação mais simbólica dessa guerra interna ocorreu a 17 de Março, quando 11 dos 14 autarcas eleitos pelo Chega em Santarém se deslocaram à sede distrital para uma reunião com o coordenador autárquico nacional, Carlos Magno, e encontraram a porta fechada devido à mudança da fechadura, alegadamente sem aviso prévio.
O episódio foi lido pelos contestatários como uma humilhação e uma tentativa deliberada de bloquear a actividade política da concelhia de Santarém. Mais do que um simples incidente logístico, o caso tornou-se o retrato perfeito do ambiente de ruptura que se vive no partido e da falta de espaço político que Manuela Estevão e os seus apoiantes dizem sentir no distrito.
Do outro lado, José Dotti rejeita por completo o cenário traçado pela concelhia, garante que não houve intimidação e atribui as fricções ao desgaste provocado por quatro actos eleitorais em apenas dois anos. Também Pedro Correia nega qualquer quebra de comunicação. Mas as explicações da distrital não apagam a percepção de isolamento crescente em torno de Manuela Estevão, cada vez mais afastada do núcleo de poder distrital.


