Câmara de Coruche vende terreno a privados para construção de hotel
A Câmara de Coruche aprovou a venda de um terreno no perímetro urbano da vila destinado à construção de um empreendimento turístico hoteleiro, num processo que gerou divergências entre os eleitos quanto ao modelo turístico e ao valor da transacção.
A venda por 200 mil euros, de um prédio urbano com 9.682 metros quadrados, localizado junto à Ermida de Nossa Senhora do Castelo, em Coruche, foi aprovada em reunião do executivo da Câmara de Coruche. O objectivo é a construção de um hotel de cinco estrelas com 172 camas. O terreno tinha um valor base de 188.227 euros e a proposta classificada em primeiro lugar foi apresentada pela empresa Polisadict Investimentos Imobiliários Lda., com sede em Albufeira. O relatório final do procedimento foi homologado pelo executivo municipal.
A decisão foi tomada após um debate prolongado entre os vereadores e o presidente da câmara, tendo o ponto sido aprovado por maioria, com três votos a favor do Partido Socialista, três votos contra do movimento independente Volta Coruche e uma abstenção do vereador do PSD. Durante a discussão, vários eleitos manifestaram dúvidas quanto à adequação de um hotel de cinco estrelas à realidade turística do concelho.
O vereador Francisco Gaspar (PSD) afirmou ter reservas quanto ao posicionamento do projecto, lembrando que Coruche não dispõe actualmente de unidades hoteleiras de três ou quatro estrelas. “Fico muito contente que Coruche possa vir a ter um hotel de cinco estrelas, mas tenho receio que seja mais um elefante branco”, afirmou, admitindo confiar no parecer técnico do júri, mas considerando existir risco de a obra não avançar ou não ser concluída.
Também o vereador Osvaldo Ferreira, do movimento independente Volta Coruche, considerou que a tipologia do projecto pode não corresponder à procura turística do território. Segundo o autarca, grande parte do turismo que chega ao concelho está associado ao turismo de natureza, ao desporto ou a estadias profissionais, segmentos que tendem a procurar alojamentos com conforto, mas a preços mais acessíveis. “Tenho dúvidas que sejamos atractivos para um hotel de cinco estrelas”, referiu.
No mesmo sentido, o vereador Dionísio Mendes manifestou reservas quanto ao valor da alienação do terreno e ao impacto do projecto na paisagem. Considerou que o montante definido para a venda é baixo para um espaço com aquela localização e alertou para o impacto da construção prevista, com três pisos acima do solo e cave, numa área próxima da Ermida de Nossa Senhora do Castelo. O autarca questionou ainda o facto de as duas empresas concorrentes, onde se inclui a proposta vencedora, estarem ligadas sobretudo ao investimento imobiliário e não ao sector hoteleiro.
Em resposta às críticas, a vereadora Susana Cruz (PS) explicou que a classificação do hotel representa apenas 20% da avaliação global das propostas, sublinhando que não foi o principal factor de decisão. Segundo a autarca, o caderno de encargos estabelece um conjunto de requisitos, incluindo o número de camas, a valorização de recursos endógenos e a oferta de serviços complementares, como restaurante e bar. A empresa que venceu o procedimento fixou em 200 mil euros o valor de aquisição do terreno.
O presidente da Câmara de Coruche, Nuno Azevedo (PS), afirmou tratar-se de um processo longo, iniciado no mandato anterior, que sofreu vários ajustes para se adequar às expectativas dos investidores interessados em instalar um hotel no concelho. Para o autarca, seria inadequado recuar após a publicação do edital e a apresentação de propostas conformes com as condições definidas.


