Parque dos Sonhos de Natal gera divergência política na Chamusca
Custo do Parque dos Sonhos de Natal voltou a marcar o confronto político na Chamusca, com Nuno Mira a defender os 308 mil euros gastos em 2025 e a insinuar dúvidas sobre os valores das edições anteriores. Oposição diz que valor gasto foi excessivo para a dimensão do evento.
O Parque dos Sonhos de Natal voltou a incendiar o debate político na Chamusca e mantém-se como um dos dossiês mais polémicos da herança deixada pelo anterior executivo. Na última reunião de câmara, realizada a 18 de Março, o vereador Rui Martinho afirmou que o evento custou mais este ano e durou menos dias. Do outro lado, o presidente da câmara, Nuno Mira, sustentou que o município fez “o melhor ao melhor preço possível”, lembrando que teve apenas um mês para montar uma iniciativa que, segundo diz, encontrou praticamente toda por preparar.
A polémica não começou agora. O MIRANTE já tinha noticiado, em Novembro do ano passado, que o novo executivo recebeu um verdadeiro “presente envenenado”, com a máquina do maior evento natalício do concelho por montar a pouco mais de um mês da abertura. Nessa altura, já era claro que o Parque dos Sonhos se transformara numa operação de alto custo para os cofres do município e numa dor de cabeça para quem entrou em funções sem margem de manobra. A informação apurada então mostrava que a edição de 2024 custou bem mais de 300 mil euros, com mais de 200 mil euros só na instalação, a que se somaram despesas com animação, fanfarras, tendas, stands, som e luz, enquanto a receita ficava longe de compensar o investimento.
Quando Nuno Mira afirma não acreditar que o Parque dos Sonhos tenha custado menos do que os 308 mil euros assumidos em 2025, está a defender a gestão do actual executivo e também a lançar dúvidas sobre valores divulgados anteriormente. Quando sublinha que tudo foi feito em tempo recorde, porque “não estava nada feito”, reforça a ideia de que a factura financeira do parque não pode ser analisada sem ter em conta a forma como foi realizada a transição da pasta pelo anterior executivo.
Rui Martinho procurou virar o foco para a redução do período de actividades e para a recusa de uma auditoria pelo actual executivo, acusando Nuno Mira de perder legitimidade para questionar o passado. Mas a resposta do presidente da câmara foi cirúrgica: uma auditoria, tal como proposta, não revelaria aquilo que agora está em causa. Apesar das polémicas, o Parque dos Sonhos de Natal continua a ser um grande evento popular, com capacidade de atracção e impacto mediático, e que este ano contou com mais de 220 mil visitantes.


