Política | 02-04-2026 15:00

Nova Geração muda sentido de voto e viabiliza orçamento da Póvoa e Forte da Casa

Nova Geração muda sentido de voto e viabiliza orçamento da Póvoa e Forte da Casa
Três intervalos, muita discussão e reuniões paralelas marcaram a última - e polémica - Assembleia de Freguesia da União de Freguesias da Póvoa de Santa Iria e Forte da Casa - foto O MIRANTE

Após chumbo inicial, orçamento para 2026 da União de Freguesias da Póvoa de Santa Iria e Forte da Casa foi viabilizado com mudanças nas contas. Coligação PSD/IL votou a favor e desfez o impasse, numa assembleia extraordinária marcada por três intervalos, ausências de eleitos e chumbo de novos nomes para o executivo.

Foi aprovado, à segunda tentativa, o orçamento para 2026 da União de Freguesias da Póvoa de Santa Iria e Forte da Casa. O documento, desta vez, teve luz verde da Coligação Nova Geração (PSD/IL), pela qual António José Inácio foi eleito presidente de junta e que tinha votado contra o documento da primeira vez que foi à assembleia de freguesia, em Dezembro de 2025.
Na reunião extraordinária da assembleia de freguesia de 27 de Março, Bruno Marquitos, da Nova Geração, justificou os votos favoráveis da sua bancada com a revisão da estimativa da receita do orçamento, o decréscimo na despesa com pessoal, incluindo na componente associada a remunerações dos membros do executivo e a processos de recrutamento, e o reforço do Plano Plurianual de Investimentos. “O PSD e a IL não actuam por conveniência nem por tacticismo político. Não mudámos de critério, o que mudou foi o documento. É por isso que votamos favoravelmente: porque entendemos que, neste momento, esta é a decisão mais responsável e a que melhor serve o interesse da população”, disse Bruno Marquitos em declaração de voto.
A proposta de orçamento agora aprovada contou com os contributos dos partidos representados na assembleia de freguesia. António José Inácio disse ser impossível incluir tudo, até porque algumas questões levantadas pela bancada do PS não foram colocadas em reunião.

Contas do anterior executivo vão ser auditadas
Uma das propostas do Chega, que foi considerada no orçamento, é a realização de uma auditoria externa às contas da junta dos últimos oito anos. Está cabimentada uma verba de 22 mil euros para serviços de consultoria e auditoria, o que, para o eleito da CDU, Marco Santos, podia ser feito através do apoio técnico e jurídico da ANAFRE, com custos mais reduzidos. O presidente da junta explicou que os custos com consultoria baixaram mil euros em relação ao executivo anterior e sublinhou a importância da auditoria. “Não andamos atrás de ninguém, mas precisamos de base legal para saber o que será feito”, disse.
O executivo prevê ainda assumir novas competências delegadas pela câmara e que tinham sido devolvidas à autarquia no tempo da gestão PS. António Inácio diz que, com o actual número de trabalhadores (71), é possível “fazer mais e melhor”. O edil anunciou ainda uma descida de 10 mil euros anuais nos custos com seguros, sendo 7 mil equivalentes a seguros dos trabalhadores.
O orçamento teve ainda votos a favor do Chega e mereceu votos contra dos eleitos do PS, Livre e CDU. Para Marco Santos (CDU), o documento não responde às necessidades reais da união de freguesias, não dá solução aos problemas concretos das populações e valida a falta de investimento nas condições de trabalho dos trabalhadores da junta.
Luís Prazeres, do PS, referiu que a decisão de prever a remuneração, em regime de meio tempo, de um vogal, pago com dinheiros públicos “por um acordo de secretaria com o Chega”, é uma opção que levanta sérias dúvidas quanto à sua necessidade e oportunidade. “Este não é um documento de gestão para servir a freguesia, mas sim um mero instrumento de sobrevivência política para servir o actual executivo”, reiterou.
João Bernardo, eleito pelo Livre, lamentou “zero investimento” no futuro, ecologia e espaços verdes. Já Francisco Fonseca (Chega) sublinhou a importância de uma auditoria às contas da junta “para saber onde foi o dinheiro no executivo socialista” e acrescentou que será dada oportunidade para o executivo mostrar trabalho.

Mesa incompleta e executivo em reconfiguração

A reunião ficou marcada pela ausência da presidente da mesa da assembleia de freguesia, Luísa Santos, e de um dos secretários, eleitos pela Coligação Nova Geração. A justificação, sabe O MIRANTE, foi dada a poucas horas do início da assembleia: por doença, no caso da presidente da mesa; e por motivos profissionais, no caso do secretário. A reunião foi conduzida pelo secretário Vasco Anjos, do Chega, e, após votação, por David Alves, da Nova Geração, que saiu da sua bancada na assembleia e assumiu funções de secretário.
Um dos pontos da ordem de trabalhos foi ainda a renúncia ao executivo de Maria João Marques e Bruno Marquitos, da Nova Geração, que voltaram a sentar-se na respectiva bancada na assembleia de freguesia. Para os substituir, apenas António José Inácio propôs os nomes de Patrícia Fernandes e Célia Nota, que integraram a lista da Nova Geração e fizeram parte do movimento independente de António Inácio (AIPMF) no mandato passado. Quando os nomes foram a votos acabaram por ser recusados.
O executivo é agora composto pelo presidente António José Inácio, que está no cargo a meio tempo, assim como Rosa Barral, ambos eleitos pela Nova Geração. Foi aprovado, na mesma assembleia, o nome de Júlio Runa, do Chega, para exercer funções a meio tempo. Amadeu Pinto, da coligação PSD/IL, e Guilherme Medeiros, do Chega, não têm tempos atribuídos.

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