Política | 05-04-2026 12:00

Chega de Santarém em guerra e Pedro Correia no olho do furacão

Chega de Santarém em guerra e Pedro Correia no olho do furacão
Autarcas do Chega acusam Pedro Correia de alinhar com o executivo municipal de Santarém da AD - Foto Facebook Chega

Crise interna no Chega em Santarém está a agudizar-se. Onze autarcas do partido acusam o vereador Pedro Correia de afastamento, falta de empenho e alinhamento com o executivo municipal, enquanto a presidente da concelhia, Manuela Estevão, diz que há militantes atrás de “tachos” e que o vereador “só vem a Santarém duas tardes por mês”.

O vereador do Chega na Câmara de Santarém, Pedro Correia, rejeitou as acusações feitas por 11 autarcas do partido no concelho, que num manifesto enviado à direcção nacional denunciam um alegado afastamento do eleito, falta de coordenação com os restantes representantes do partido e um suposto alinhamento com o executivo municipal da AD. No documento, os subscritores falam num “grave problema interno” e pedem a intervenção da estrutura nacional do partido para travar danos na imagem e credibilidade do Chega em Santarém. Os signatários exercem funções em vários órgãos autárquicos do concelho, incluindo assembleia municipal, assembleias de freguesia e junta de freguesia.
Os autarcas criticam Pedro Correia por, alegadamente, ter tido uma participação reduzida durante a campanha autárquica de 2025, surgindo apenas “nos últimos 15 dias” e em “poucas acções de rua”, o que, na sua leitura, terá prejudicado o resultado eleitoral e impedido a eleição de um segundo vereador. Acusam-no ainda de se ter afastado dos restantes eleitos após as eleições e de contrariar decisões políticas assumidas em conjunto, apontando como exemplo a abstenção numa votação sobre delegação de competências no presidente da câmara, quando o grupo defendia voto contra.
A polémica adensou-se com um comentário de Manuela Estevão nas redes sociais, presidente da concelhia do Chega de Santarém e ex-vereadora, a uma notícia de O MIRANTE, no qual deixou duras críticas ao ambiente interno no partido e ao próprio vereador. “Com o crescimento do partido os tão desejados e ambicionados lugares conhecidos por ‘tachos’ começam a toldar a mente de muito boa gente”, escreveu, acrescentando que há quem pense vir a ser assessor do vereador do Chega na Câmara de Santarém. No mesmo comentário, Manuela Estevão classificou essa possibilidade como “perfeitamente ridícula”, alegando que Pedro Correia “só vem a Santarém duas tardes por mês”.
Em declarações à Lusa, Pedro Correia classificou o manifesto como uma “violação dos mecanismos internos do partido” e uma tentativa de “denegrir” a sua imagem enquanto vereador, vice-presidente da distrital e deputado à Assembleia da República. O autarca diz ser “uma abominável mentira” que tenha estado ausente da campanha, garantindo que entre Janeiro e Outubro de 2025 esteve “praticamente todos os fins-de-semana” em Santarém, com excepção do período das eleições legislativas. O vereador nega também qualquer ruptura com os restantes eleitos, assegurando que continua a preparar o trabalho autárquico com quem se revê “numa política séria para o concelho”. Quanto à acusação de proximidade ao PSD, contrapõe que foi “o único vereador” a votar contra o orçamento municipal para 2024, ao contrário do PS, que se absteve. Pedro Correia sustenta ainda que, na votação contestada, seguiu “exclusivamente” as orientações nacionais do partido e acusa ainda algumas das pessoas que assinaram o manifesto de terem sido coagidas a fazê-lo.

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