Falta de projectos para o concelho gera troca de acusações no Entroncamento
Oposição na Câmara do Entroncamento acusou o executivo liderado pelo Chega de não apresentar medidas com verdadeiro impacto no concelho. Rui Madeira fala em reuniões com pontos “sem sumo” e falta de visão política. O presidente Nelson Cunha responde com um apelo à “qualidade” e à necessidade de corrigir erros herdados.
O clima aqueceu na última reunião de Câmara do Entroncamento, com o vereador Rui Madeira (PSD) a lançar duras críticas ao executivo do Chega, acusando-o de falta de projectos relevantes e de levar a discussão camarária para matérias sem peso no desenvolvimento do concelho. No período antes da ordem do dia, o social-democrata questionou directamente o alcance das decisões tomadas ao longo do actual mandato e apontou o que considera ser uma ausência de medidas estruturantes. “O que é que há aqui significativo para o desenvolvimento do concelho? Demorámos mais tempo a bater pontos antes da ordem do dia do que na ordem de trabalhos”, afirmou, acrescentando que muitas das decisões aprovadas são de “natureza meramente administrativa”.
Rui Madeira foi mais longe e sustentou que várias das matérias mais importantes discutidas no actual mandato transitaram do executivo anterior. Numa crítica mordaz, desafiou mesmo o actual executivo a recuperar propostas da oposição, referindo temas que, na sua opinião, continuam sem resposta, como a revisão da Carta Educativa, a criação de guardas-nocturnos, o avanço de uma Casa da Cultura e Ofícios e a elaboração da Carta Municipal da Habitação. O vereador criticou também o que entende ser uma fraca afirmação política do executivo, considerando que, em vários momentos, são os técnicos municipais a assumir protagonismo na condução dos assuntos.
O presidente Nelson Cunha rejeitou as acusações e respondeu que a gestão do município não se mede pelo número de pontos em agenda, mas pela consistência e qualidade das decisões. “Não é a quantidade de pontos que define um bom trabalho, é a qualidade dos mesmos”, afirmou. O presidente da câmara defendeu que o executivo está a actuar com prudência e rigor, num contexto marcado por um legado pesado de mandatos anteriores, nomeadamente ao nível de obras e intervenções por concluir ou corrigir. “O Entroncamento está farto de pressas, muitos pontos e muita tinta gasta para dar o que deu, que é o que herdámos”, declarou. Apesar de reconhecer que a cidade ainda está longe do cenário desejado, Nelson Cunha assegurou que o rumo seguido é o correcto. “Não está bonita, mas está a ficar mais bonita”, disse, garantindo ainda que a população reconhece o esforço do executivo e sente que o trabalho está a ser feito.


