Política | 14-04-2026 07:00

Venda da tenda do Mercado de Tomar não gera consenso

Venda da tenda do Mercado de Tomar não gera consenso
Câmara de Tomar evoca parecer técnico dos serviços para desmontar tenda - foto DR

Decisão de desmontar e vender a estrutura do mercado municipal abriu confronto político em reunião de câmara. PS fala em desperdício e alerta para custos futuros com alugueres; presidente Tiago Carrão responde com o argumento da segurança.

A decisão da Câmara de Tomar de desmontar e vender a tenda do mercado municipal motivou críticas do PS na reunião do executivo de 23 de Março. O vereador Hugo Cristóvão contestou a opção, considerando que o município está a abdicar de uma estrutura onde foram feitos investimentos significativos e que permitia dar ao espaço uma utilização polivalente. Do outro lado, o presidente da câmara, Tiago Carrão (AD PSD/CDS), justificou a medida com razões de segurança, afirmando que tanto a lona como a própria estrutura se encontram comprometidas.
Hugo Cristóvão classificou a decisão como um erro e recordou que o anterior executivo socialista investiu não só na tenda, mas também nas infra-estruturas de apoio, nomeadamente pavimento, canalização, electricidade e casas de banho. Na sua leitura, esse conjunto de intervenções transformou o espaço num local apto para acolher diferentes eventos e actividades. “Parece um bocado o filho a desfazer a obra do pai”, atirou o vereador socialista, sustentando que a retirada da tenda poderá obrigar o município a recorrer ao aluguer de coberturas para iniciativas futuras, como a Feira de Santa Iria. Para Hugo Cristóvão, os custos associados a esses alugueres poderiam justificar antes a renovação da estrutura existente.
Tiago Carrão reagiu com surpresa às críticas do PS e rejeitou a ideia de desperdício. Segundo o presidente do município, a decisão assenta numa avaliação técnica dos serviços camarários que aponta para problemas na lona e na própria estrutura metálica. “Desbaratar seria a tenda continuar nas condições em que estava. Isso, sim, era desbaratar a segurança das pessoas”, afirmou. O autarca reforçou que a estrutura “não oferece condições de segurança independentemente do evento”, sublinhando que o parecer técnico que sustenta a decisão é anterior às recentes tempestades.
Hugo Cristóvão pôs em causa essa avaliação, defendendo que a tenda precisava de reparações, mas não de ser eliminada. Admitiu que a cobertura teria de ser substituída, uma vez que a lona, com cerca de 20 anos, apresentava vários remendos, mas considerou que a restante estrutura poderia ser aproveitada. Nesse sentido, apresentou um requerimento para ter acesso à informação técnica que fundamentou a decisão do executivo. Tiago Carrão garantiu que essa documentação será facultada, insistindo que a opção da câmara não resulta de uma apreciação política ou subjectiva, mas de um parecer técnico dos serviços municipais. Embora reconheça que a inexistência da tenda possa vir a representar encargos acrescidos no futuro, frisou que a prioridade tem de ser a segurança das pessoas.

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