Entroncamento quer compensar baixos salários com descontos no comércio local
Presidente da autarquia admite que muitos funcionários municipais vivem com remunerações “indignas” e anuncia negociações com ginásios, clínicas e lojas para criar um pacote de benefícios.
A Câmara do Entroncamento está a preparar um programa de descontos para os trabalhadores municipais, numa tentativa de atenuar os baixos salários praticados na administração pública. A medida foi anunciada pelo presidente da autarquia, Nelson Cunha, na reunião de câmara de 7 de Abril, depois de o vereador Ricardo Antunes (PS) ter alertado para as dificuldades económicas sentidas por muitos funcionários do município. No debate sobre a valorização dos trabalhadores, Ricardo Antunes falou em “indignidade atroz” para descrever os salários de quem assegura funções essenciais no concelho, sublinhando que há funcionários que chegam a meio do mês sem saber como vão pagar despesas básicas. O vereador socialista defendeu que a autarquia deve procurar soluções que permitam aos trabalhadores melhorar o seu rendimento, nomeadamente através de horários diferenciados, turnos e uma gestão mais racional dos equipamentos municipais. Na sua opinião, com mais flexibilidade e organização, seria possível criar condições para que alguns funcionários pudessem desempenhar outras funções sem prejuízo do serviço público.
Nelson Cunha concordou com o diagnóstico e admitiu que há trabalhadores do município a exercer funções que deveriam ser mais bem pagas. Sem margem para mexer directamente nos salários, por dependerem das regras impostas pelo Estado, o autarca anunciou que o executivo está a negociar um conjunto de parcerias com ginásios, dentistas, oftalmologistas e comércio local para criar um pacote de descontos dirigido aos funcionários municipais. “Estamos a trabalhar num programa de colaboração onde pretendemos que ginásios, dentistas, oftalmologistas, todo o tipo de comércio e serviços façam um pack de desconto com a Câmara Municipal”, revelou. Segundo Nelson Cunha, esta será uma forma indirecta de melhorar as condições de vida dos trabalhadores. “Directamente não conseguimos incrementar os honorários, mas indirectamente conseguimos, e é isso que temos estudado”, disse, acrescentando que, “já que o Governo não o faz, fazemos nós”.


