Chumbo de proposta socialista expõe divisões ideológicas na Câmara de Santarém
PSD e Chega chumbaram uma proposta apresentada pela bancada do PS no executivo da Câmara de Santarém que sugeria o estudo da implementação gradual de um sistema de prolongamento do horário escolar, até às 19h00.
PSD e Chega chumbaram uma proposta apresentada pela bancada do PS no executivo da Câmara de Santarém que sugeria o estudo da implementação gradual de um sistema de prolongamento do horário escolar, até às 19h00, com recurso a técnicos devidamente habilitados, a contratar pelo município. O PS defendeu, pelo vereador Pedro Ribeiro, que essa oferta se estendesse desde o jardim de infância até ao 2.º ciclo de forma gradual, considerando tratar-se de uma medida fundamental para dar resposta às muitas famílias que necessitam desse apoio, nomeadamente as que não têm quem fique com as suas crianças durante o seu horário laboral.
Tanto o presidente da Câmara de Santarém, João Leite (PSD), como o vereador do Chega, Pedro Correia, criticaram a proposta socialista por, mais uma vez, considerarem ser demasiado simplista e sucinta, sem qualquer avaliação de custos ou estudo mais aprofundado. O líder do executivo assumiu também uma divergência ideológica de fundo em relação à proposta do PS, referindo que já existem entidades da sociedade civil, como instituições e associações de pais, a assegurar esse serviço no concelho, referindo que esse é o modelo que quer continuar a incentivar e aprofundar em conjunto com essas entidades e também com as juntas de freguesia.
Vincando que “as escolas não são depósitos de crianças”, João Leite considerou que a proposta do PS seria um estímulo a ter as crianças nos estabelecimentos de ensino até às 19h00 ou 19h30. O presidente disse ainda que a proposta socialista, caso fosse aprovada, poderia custar quase 2 milhões de euros anuais à autarquia e reiterou preferir o modelo misto, com a participação da sociedade civil e o apoio municipal, tal como também defendeu o vereador do Chega. Pedro Correia argumentou que a internalização desse serviço iria criar encargos duradouros ao município.
Pedro Ribeiro disse já não ser surpresa a consonância de opinião entre PSD e Chega e evocou as dificuldades que muitas famílias enfrentam para articular o seu horário de trabalho - nomeadamente quando têm emprego fora e já chegam tarde a casa -, com os horários escolares dos filhos. “Não quero incentivar o uso do horário alargado de horários. Mas quem trabalha em Lisboa faz como? Qual é a solução?”, questionou o vereador socialista, observando que só poderia beneficiar da medida quem apresentasse declaração da entidade laboral com o respectivo horário.
“É com pena que verificamos que uma oferta de nível europeu, com técnicos qualificados e com uma oferta estruturada durante o ano lectivo e as férias escolares não merece acolhimento. Temos pena que o sr. presidente não veja esta proposta como um investimento e prefira chamá-la de ideológica. São opções”, desabafou posteriormente Pedro Ribeiro nas redes sociais.


