Ex-presidente da câmara abandona Assembleia da Chamusca durante intervenção de munícipe
Intervenção dura de Isabel dos Santos na Assembleia Municipal da Chamusca com várias críticas à gestão do anterior executivo levou Paulo Queimado, ex-presidente da câmara e actual deputado municipal, a abandonar a sessão antes do fim.
A última Assembleia Municipal da Chamusca, realizada a 29 de Abril, ficou marcada por uma intervenção dura da munícipe Isabel dos Santos, que apontou o dedo à gestão autárquica do anterior executivo e levou o ex-presidente da câmara e actual deputado municipal Paulo Queimado a abandonar a sessão antes do seu encerramento.
A intervenção começou com perguntas dirigidas ao actual presidente da Câmara Municipal da Chamusca, nomeadamente sobre a alegada deslocação da Polícia Judiciária aos serviços municipais para consulta de processos relativos ao anterior executivo. O presidente confirmou que a PJ esteve na autarquia para consultar processos do mandato anterior. Isabel dos Santos questionou ainda a forma como foi feita a contratação dos artistas do cartaz da Semana da Ascensão, tendo o autarca esclarecido que o processo foi tratado directamente pelo município, sem recurso a intermediários. A partir daí, a munícipe fez uma intervenção elogiando o facto de o cartaz da Semana da Ascensão ter sido divulgado atempadamente este ano, a 25 de Fevereiro, ao contrário do que, afirmou, acontecia no tempo do anterior executivo, em que o cartaz só era conhecido “quase na semana da Ascensão”. Isabel dos Santos ironizou mesmo que, nessa altura, parecia tratar-se do “terceiro segredo de Fátima”, sublinhando que a divulgação antecipada é essencial para atrair visitantes e permitir que as pessoas se organizem.
A intervenção subiu de tom quando a munícipe passou a enumerar situações que, na sua opinião, colocam a Chamusca como mau exemplo de gestão autárquica. Entre os casos referidos estiveram concursos de pessoal realizados ao longo dos últimos anos, a compra de imóveis para arquivo municipal, a aquisição de uma viatura BMW por cerca de 80 mil euros e despesas com telemóveis de milhares de euros. Isabel dos Santos comparou ainda a actuação do actual presidente com a do anterior executivo, afirmando que o actual autarca “governa para servir e não para se servir”.
A intervenção visou “indirectamente” Paulo Queimado, que foi presidente da Câmara da Chamusca durante 12 anos, e que estava sentado a poucos metros da munícipe no seu lugar de deputado municipal. Isabel dos Santos recordou que o deputado tem pedido transparência, prestação de contas e acesso atempado a documentos, mas acusou o antigo executivo que presidiu de não ter praticado esses princípios quando esteve no poder. Referiu, entre outros exemplos, pedidos de contas da Semana da Ascensão e do Parque dos Sonhos, documentação entregue em cima das reuniões e perguntas de munícipes que, segundo disse, ficaram sem resposta.
Paulo Queimado tentou interromper a intervenção, mas foi travado pela mesa da assembleia municipal, que apelou ao respeito pela voz dos munícipes, embora tenha também pedido a Isabel dos Santos que evitasse ataques pessoais e se cingisse a matérias relevantes para o concelho. A munícipe insistiu no direito de falar e continuou, recordando ainda o caso do livro da Carta Arqueológica, cujo custo foi de cerca de 50 mil euros, e a questão das horas devidas a funcionários municipais, acusando o anterior executivo de ter recorrido de uma decisão judicial favorável aos trabalhadores.
A determinada altura, perante a insistência da munícipe, Paulo Queimado levantou-se e abandonou a sessão. Isabel dos Santos concluiu a sua intervenção afirmando que o deputado pede agora aquilo que, na sua opinião, não garantiu durante os anos em que liderou a câmara. Antes de terminar, a munícipe colocou ainda uma questão sobre uma verba de 200 mil euros que, segundo afirmou, terá sido destinada à requalificação dos balneários da piscina municipal, obra que não terá avançado na altura. O presidente da câmara respondeu que não sabia esclarecer a situação por se tratar de matéria anterior ao seu mandato. A sessão terminou pouco depois.


