“Quem tem medo do 25 de Abril?”
Frase marcou a sessão evocativa do 25 de Abril de 1974 da Assembleia Municipal de Azambuja. Forças políticas divergiram na importância da data com alguns autarcas a evocar o 25 de Novembro.
Existe uma intenção política clara de branquear a ditadura, afirmou a eleita municipal pelo PS, na sessão evocativa do 25 de Abril da Assembleia Municipal de Azambuja. “Quem tem medo do 25 de Abril? Sá Carneiro e Pinto Balsemão de certeza que não e teriam ficado envergonhados (...)”, disse Cláudia Gomes, num dos discursos mais ácidos da noite. Este ano, o Pavilhão da Casa do Povo de Aveiras de Cima foi palco da sessão, na noite de 24 de Abril. Na plateia, autarcas e população participaram na efeméride, embora algumas cadeiras tenham ficado vazias.
O presidente da Câmara de Azambuja, Silvino Lúcio (PS), recordou que o plano do golpe não foi gizado só em gabinetes ou quartéis distantes, mas também numa adega de Aveiras de Cima, no final de 1973, quando jovens oficiais das Forças Armadas se reuniram para dar “passos firmes” naquilo que viria a ser o fim da ditadura.
Da bancada do PSD, Nelson Rodrigues sublinhou que a liberdade não é confortável, porque exige e cobra, sendo “um presente de responsabilidade” chamado democracia. Mais crítico nas palavras, afirmou que quem vive em Azambuja “sente na pele o que funciona ou não” e defendeu que, no concelho, a democracia “merece mais verdade, rigor e execução e menos anúncios e promessas vãs”.
O Chega, pela voz de Briana Batalha, defendeu que a data do 25 de Novembro é mais importante do que a do 25 de Abril, porquanto “impediu uma ditadura ao estilo soviético”. Para Filipe Silva, da CDU, é urgente que o Governo cumpra a Constituição, alertando que, hoje em dia, paira uma ameaça sobre a revisão constitucional. O 25 de Abril é uma data para recordar, mas também um compromisso diário com a liberdade, vincou o eleito independente André Silva. O último discurso da noite coube ao presidente do órgão, Gonçalo Cerqueira Simões, que destacou a responsabilidade das gerações mais jovens em preservar as conquistas alcançadas, uma vez que não sabem o que é viver com medo constante.


