Política | 01-05-2026 18:00

Contrato com empresa de ex-vereadora incendeia reunião de câmara em Alcanena

Contrato com empresa de ex-vereadora incendeia reunião de câmara em Alcanena
Reunião de Alcanena voltou a dar que falar por causa de contrato de consultadoria assinado entre a câmara e uma ex-vereadora - foto O MIRANTE

Polémica em torno de contrato de consultoria, entretanto rescindido pela prestadora de serviços, provocou uma troca dura de acusações entre Rui Anastácio e Samuel Frazão. Presidente defendeu transparência no processo; oposição acusou-o de ter criado o problema.

A polémica em torno do contrato celebrado entre a Câmara de Alcanena e a empresa de uma ex-vereadora voltou a marcar a última reunião do executivo municipal, num debate que rapidamente subiu de tom e terminou com acusações, ironias e críticas duras entre o presidente da câmara, Rui Anastácio, e o vereador socialista Samuel Frazão. Em causa está o contrato de prestação de serviços assinado com a empresa Marlene Carvalho, Unipessoal Lda., criada em Janeiro deste ano por Marlene Carvalho, que exerceu funções como vereadora no anterior mandato. O contrato, no valor de 55.680 euros e com prazo de execução de 731 dias, foi formalizado a 27 de Março de 2026, por consulta prévia, destinando-se à consultoria estratégica para implementação e acompanhamento de parcerias de inovação, empreendedorismo e projectos comunitários no âmbito da estratégia “Alcanena 2.0”.
O assunto tinha sido levado à reunião de câmara de 6 de Abril apenas para conhecimento, mas gerou críticas da oposição, de munícipes e também contestação nas redes sociais. Entretanto, segundo foi confirmado na reunião, foi a própria prestadora de serviços que decidiu rescindir o contrato, na sequência da exposição pública do caso. Samuel Frazão evitou comentar directamente a rescisão, mas questionou o futuro do projecto que justificou a contratação, perguntando se a autarquia tenciona contratar outra entidade para assegurar o trabalho previsto. “Se já existe financiamento, que seja potenciado, pois ninguém é insubstituível. Se uma pessoa não quer, outra quererá”, afirmou o vereador do PS.
A resposta de Rui Anastácio desviou o debate para o contexto em que o contrato terminou. O presidente da câmara confirmou que a ex-vereadora decidiu pôr fim ao acordo devido à exposição pública e defendeu a importância de envolver no desenvolvimento do concelho pessoas que, no seu entender, “fazem a diferença”. A explicação não convenceu Samuel Frazão, que acusou o presidente de não responder à questão colocada. A partir daí, a discussão entrou num tom mais exaltado. Rui Anastácio reagiu às críticas e à forma como o caso foi tratado fora da reunião, defendendo que foi o próprio a dar conhecimento do contrato ao executivo por uma questão de transparência. “Não vale a pena armarem-se em inocentes, porque quem não procura repor a verdade e ser honesto também está conivente com quem queima pessoas em praça pública”, afirmou. “Houve pessoas a dizerem que fomos descobertos. Descobertos o quê, se fui eu que dei conhecimento do contrato?”, questionou.
O presidente aproveitou ainda para lançar críticas ao anterior executivo, acusando-o de práticas pouco transparentes em concursos de contratação pública. Samuel Frazão respondeu acusando Rui Anastácio de levar o debate para “o lado pessoal” e criticou a sua postura enquanto líder político. “Não percebo a sua exaltação. Você é que criou o problema. Um líder tem de liderar pelo exemplo e você é que se meteu neste problema”, afirmou.

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