Política | 08-05-2026 21:00

Autarca de Alhandra novamente criticado por causa de painéis no meio de passeios

Autarca de Alhandra novamente criticado por causa de painéis no meio de passeios
Presidente da junta disse que este local onde a publicidade foi colocada “não é um passeio”, mas antes uma “delimitação” entre a estrada e um estacionamento - foto O MIRANTE

Presidente da Junta de Alhandra voltou a ser atacado na última semana, na assembleia de freguesia e na câmara municipal, por causa dos polémicos painéis publicitários colocados no meio de alguns passeios da vila. “Um deles não é um passeio”, disse o autarca, para espanto geral.

Uma gestão despreocupada de utilização do espaço público e um ataque aos peões: foi desta forma que vários autarcas da Câmara de Vila Franca de Xira e da Assembleia de Freguesia da União de Alhandra, São João dos Montes e Calhandriz classificaram na última semana a decisão da junta de freguesia de instalar vários painéis de publicidade (Mupis) em passeios de Alhandra.
A polémica em torno das estruturas continua a dar que falar, ainda mais depois da última assembleia de freguesia, quando Nuno Marques da Silva, presidente da junta, considerou que o passeio existente na Rua Miguel Bombarda “não é um passeio” mas sim uma “delimitação entre a estrada e o estacionamento”, que disse ter fruição nula da comunidade.
Fábio Mousinho Pinto, vereador da coligação Nova Geração (PSD/IL) na Câmara de VFX, manifestou, tal como o Chega, a sua preocupação com a gestão, que classificou de despreocupada, do espaço público em Alhandra. “Só porque a instalação destes painéis foi aprovada em assembleia de freguesia, o bom senso não desaparece por despacho e a legalidade de uma decisão não deve fazer desaparecer o pensamento racional. As nossas freguesias podem ter mupis de publicidade, mas a sua implementação deve atender às sensibilidades de cada local, o que não acontece em Alhandra”, criticou. Para o autarca, a estética urbana e a mobilidade não podem ser sacrificadas por este tipo de estruturas.
Já o presidente do município, Fernando Paulo Ferreira (PS), empurrou a responsabilidade do caso para a junta de freguesia e questionou se não valerá a pena inverter essa delegação de competências das juntas novamente para o município. O autarca diz que já pediu à fiscalização municipal para acompanhar as próximas colocações de publicidades no espaço público do concelho e para “intervir até onde a câmara conseguir”, nomeadamente no que diz respeito às questões da mobilidade da comunidade.

Acusações de arrogância
Na última assembleia de freguesia o assunto também foi trazido a debate pelas bancadas, entre elas a do Chega, que condenou a “arrogância” do presidente da junta nas explicações que tem dado sobre o assunto. “As pessoas não querem saber do que diz a lei e se a passagem tem um metro ou dois, ou se cumpre a lei ou não. Convido-o a ir na hora de ponta, quando chega o comboio, e passar naquele passeio junto à EN10 e ver a enchente de gente a caminhar pela estrada. Se tivermos uma tragédia por causa daquele mupi o senhor terá de responder pelo que disse. Embora o passeio seja largo torna-se curto naqueles momentos de saída de gente do comboio”, criticou Ruben Durães.
Depois da empresa responsável pelos mupi, a DreamMedia, ter dito a O MIRANTE que a junta não os havia contactado para alterar a localização dos equipamentos, o presidente da junta diz agora já ter reunido com a empresa para rever algumas localizações. “Há uma em que se percebe que não é a melhor localização e teremos de encontrar uma melhor solução a 20 metros. Quando podemos melhorar, melhoramos, não é preciso fazer aqui um drama e levantar fantasmas onde eles não existem”, acusou. Já o mupi na Rua Miguel Bombarda vai mudar de sítio, alguns metros para a frente. “Não é a solução ideal, não deixa de ser um obstáculo na via, mas temos muitos outros. Não há aqui teimosias ou arrogância, queremos é que tudo funcione bem para todos”, afirmou.
Em causa está a instalação de painéis publicitários em dois passeios muito frequentados da vila, um na Estrada Nacional 10 e outro na Rua Miguel Bombarda, com a situação a gerar de imediato queixas de vários moradores. As estruturas tapam quase totalmente o passeio, desrespeitando a circulação de peões e constituindo um obstáculo acrescido para cidadãos invisuais, para quem tem mobilidade reduzida ou circula em cadeiras de rodas e carrinhos de bebé.

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