Política | 10-05-2026 11:00

Gastos com as festas de Coruche dividem oposição e executivo socialista

Gastos com as festas de Coruche dividem oposição e executivo socialista
foto arquivo

A revisão orçamental aprovada pela maioria socialista da Câmara de Coruche reacendeu a discussão sobre a gestão municipal, com a oposição a defender que o dinheiro deveria ser canalizado para arruamentos, equipamentos e infra-estruturas afectadas pelas intempéries.

A previsão de uma despesa de 550 mil euros para a organização das Festas em Honra de Nossa Senhora do Castelo, que decorrem de 14 a 18 de Agosto, em Coruche, abriu uma nova frente de confronto político no executivo municipal. A verba foi criticada pelos vereadores Francisco Gaspar, eleito pelo PSD, e Dionísio Mendes, do movimento Volta Coruche/25, durante a reunião de câmara em que foi discutida a integração do saldo de gerência no orçamento camarário de 2026.
Os eleitos sem pelouro contestaram o reforço de 230 mil euros no valor previsional destinado às festas. Francisco Gaspar lamentou que a aposta da autarquia passe por eventos, recordando que outros municípios, como Salvaterra de Magos e Benavente, cancelaram iniciativas para canalizar verbas para a requalificação de espaços e locais danificados pelas intempéries e cheias. Dionísio Mendes, que já se tinha manifestado contra o modelo de organização seguido pela liderança socialista da câmara, também criticou o montante previsto para as festas. O presidente da Câmara de Coruche, Nuno Azevedo (PS), salientou apenas que, apesar de a verba estar inscrita na rubrica, a indicação dada aos serviços é para que os custos sejam reduzidos ao mínimo.
A revisão orçamental acabou aprovada com os votos favoráveis do PS, a abstenção do vereador do PSD e o voto contra dos três vereadores do movimento Volta Coruche/25. As Festas em Honra de Nossa Senhora do Castelo vão ter, este ano, a presença dos Xutos & Pontapés, num dos dias do evento, confirmação revelada na semana passada pelo grupo que deu a conhecer as datas da digressão “Direito Ao Deserto”, nome inspirado no álbum de 1993.

Transacções da SIBS como argumento
Na sequência da polémica, a concelhia do Partido Socialista de Coruche emitiu um comunicado em que defende o investimento na cultura, nas tradições locais e na economia do concelho, rejeitando aquilo que classifica como “desinformação”. O PS sublinha que o valor em causa é previsional e que não significa necessariamente que venha a corresponder ao montante final executado.
Para os socialistas, as Festas em Honra de Nossa Senhora do Castelo são “um momento central da identidade de Coruche”, com impacto na coesão social, na valorização do património cultural e na promoção do concelho dentro e fora da região. A concelhia garante ainda que este investimento não suprime nem altera outros investimentos previstos em sectores prioritários, inscritos em Orçamento e no Plano Plurianual de Investimentos. O PS invoca também o impacto económico das festas, referindo que, no mês de Agosto do ano passado, foram registados mais de 8,5 milhões de euros em pagamentos electrónicos e cerca de quatro milhões de euros em numerário, num total superior a 12,5 milhões de euros em transacções.
O movimento Volta Coruche/25 respondeu com novo comunicado, questionando a utilização dos dados divulgados pelo PS e defendendo que o gráfico apresentado com as transacções da SIBS não prova sucesso político, mas apenas o efeito normal do calendário, das festas, do regresso de emigrantes e do aumento temporário da população. “Não se trata de ser contra as festas”, sustenta o movimento, defendendo que governar implica escolher prioridades.

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