Política | 21-05-2026 21:00

Imigração expõe fragilidades dos serviços públicos no Entroncamento

Imigração expõe fragilidades dos serviços públicos no Entroncamento

Vereador Rui Madeira considera que o concelho pode estar acima das 30 mil pessoas e defende uma estratégia municipal para responder à pressão sobre lixo, saúde, escolas e habitação. Presidente Nelson Cunha reconhece desafios e diz que integração deve ser feita com regras iguais para todos.

A imigração e o crescimento populacional do Entroncamento voltaram a marcar o debate político na última reunião de câmara, com o vereador Rui Madeira, eleito pelo PSD, a defender a criação de uma estratégia municipal para a imigração e a alertar para a pressão crescente sobre os serviços públicos. O autarca social-democrata considerou que o fenómeno migratório não pode continuar a ser tratado apenas como uma questão nacional, sublinhando que os municípios precisam de instrumentos próprios para conhecer melhor a realidade local e planear respostas nas áreas social, urbanística e financeira. Rui Madeira recordou que a estratégia nacional de imigração prevê a existência de planos municipais, mas lamentou que apenas “20 e poucos municípios” tenham avançado com esses documentos. No caso do Entroncamento, defendeu, a pressão demográfica é particularmente evidente. “Se formos às estatísticas nacionais continuamos a ver que temos entre 20 a 22 mil habitantes, mas provavelmente estamos acima das 30 mil pessoas”, sustentou. O vereador defendeu que a autarquia deve procurar saber quem está a chegar ao concelho, porque razão se fixa no Entroncamento e que impacto essa presença tem nos serviços públicos. Só assim, acrescentou, será possível reclamar mais financiamento para áreas como recolha de lixo, saúde ou escolas.
O presidente da Câmara do Entroncamento, Nelson Cunha, reconheceu a pressão existente sobre a cidade e afirmou que o executivo pretende agir com “justiça” e “ordem social”. O autarca lembrou que o Entroncamento é o concelho mais densamente povoado do distrito e que a sua malha urbana coloca desafios acrescidos à gestão municipal. Nelson Cunha defendeu que o município deve saber acolher e integrar quem chega ao concelho, mas frisou que essa integração tem de assentar em regras claras e iguais para todos. “Quem vem por bem obviamente pode ver com bons olhos o Entroncamento. Quem vem por mal e à luz de subsídios ou dependências, o Entroncamento não pode ser referência nesse contexto”, afirmou. O autarca reconheceu que a pressão populacional já atingiu limites no passado, mas garantiu que o objectivo do executivo passa por transformar o Entroncamento “numa referência no Médio Tejo”, conciliando crescimento, integração e capacidade de resposta dos serviços públicos.

Mais Notícias

    A carregar...
    Logo: Mirante TV
    mais vídeos
    mais fotogalerias