Contas de Alpiarça fecham no vermelho e Sónia Sanfona admite dificuldades em contratar empresas para realizar obras
Resultado líquido negativo de 32 mil euros reacendeu o debate político na Assembleia Municipal de Alpiarça. Sónia Sanfona garante que a autarquia mantém uma situação financeira sólida e capacidade para investir, mas a CDU fala em baixa execução do investimento.
A prestação de contas de 2025 da Câmara de Alpiarça fechou com um resultado líquido negativo de cerca de 32 mil euros, num exercício em que o município registou receitas superiores a 17 milhões de euros e despesas acima dos 14 milhões. Os números foram aprovados em reunião de câmara com a abstenção da CDU e chegaram à Assembleia Municipal acompanhados de um debate político centrado na capacidade do executivo para transformar anúncios em obra feita.
Na apresentação dos documentos em reunião de câmara, o vice-presidente João Formiga explicou que o balanço municipal apresenta um valor total de cerca de 69,2 milhões de euros, dos quais mais de 60,6 milhões correspondem ao património líquido e cerca de 8,6 milhões ao passivo. A demonstração de resultados evidencia gastos superiores a 11 milhões de euros e rendimentos na mesma ordem de grandeza, traduzindo-se num resultado líquido negativo de aproximadamente 32 mil euros. Já na execução orçamental, a autarquia registou receitas de cerca de 17,1 milhões de euros e despesas superiores a 14,3 milhões. Na Assembleia Municipal, a presidente da câmara, Sónia Sanfona, defendeu uma leitura global positiva das contas, sublinhando que o município mantém uma situação financeira “sólida”, controlada e com margem para continuar a investir. A autarca destacou que a execução da receita ficou acima do mínimo legal e justificou a menor execução da despesa com atrasos em investimentos que transitaram de anos anteriores.
Segundo Sónia Sanfona, vários projectos sofreram constrangimentos provocados por factores externos, entre os quais os prejuízos causados pelas tempestades em empresas envolvidas nas obras, a falta de empresas disponíveis no mercado e a complexidade de alguns investimentos. A presidente realçou ainda o controlo do endividamento municipal e a existência de “uma folga legal substancial”, que permitirá ao município avançar com investimentos estratégicos. “Estamos no caminho certo para continuar a investir no bem-estar dos nossos munícipes de forma rigorosa e controlada”, afirmou.
A oposição fez uma leitura bem diferente. O deputado João Osório, da CDU, acusou o executivo de manter uma distância significativa entre aquilo que anuncia e aquilo que concretiza. “Aquilo que verdadeiramente define a acção do município, o investimento, ficou pelos 58,9%. Há compromissos no papel, mas falta obra no terreno”, afirmou, considerando que quase metade do investimento previsto ficou por executar. A CDU criticou também a quebra nas receitas de capital e o facto de o equilíbrio financeiro depender, segundo João Osório, de um saldo de gerência acumulado de anos anteriores superior a 4,3 milhões de euros. A bancada comunista apontou ainda a descida do resultado líquido face a 2024, ano em que o município tinha registado um resultado positivo superior a 1,2 milhões de euros.
Sónia Sanfona rejeitou a leitura da oposição e insistiu que os atrasos na execução resultam sobretudo de dificuldades que afectam muitos municípios, como a falta de empresas disponíveis, as intempéries e a exigência técnica de determinados projectos. “Quando se trabalha estrategicamente é preciso tempo”, sublinhou. A autarca admitiu que o município poderá vir a recorrer ao endividamento para concretizar novos investimentos, mas garantiu que qualquer decisão será tomada “com rigor” e dentro da capacidade financeira da autarquia.


