Segurança Social encerra juntas médicas em Samora Correia mas nega relação com o caso Emuna Mia
Serviço de juntas médicas em Samora Correia avaliava incapacidades temporárias para efeitos de subsídio de doença e funcionava apenas uma vez por semana. A Segurança Social garante que os restantes serviços naquele espaço continuam assegurados.
As juntas médicas da Segurança Social que se realizavam em Samora Correia deixaram de funcionar na cidade e foram transferidas para a sede do distrito, em Santarém, no âmbito de um processo de reestruturação e optimização de espaços, revela a O MIRANTE o Centro Distrital da Segurança Social de Santarém.
O assunto foi levantado por José Nunes, cidadão residente em Samora Correia, durante uma reunião do executivo da Câmara de Benavente, onde questionou se as juntas médicas da Segurança Social tinham acabado na cidade e o que estava previsto para as instalações onde o serviço funcionava. A presidente da Câmara de Benavente, Sónia Ferreira (PSD), afirmou que a decisão tinha sido tomada pela Segurança Social e associou o encerramento às suspeitas públicas que envolvem uma médica. “Foi a Segurança Social que decidiu encerrar”, referiu a autarca, acrescentando que “há suspeitas sobre uma médica” e que, por isso, a Segurança Social “tomou a iniciativa de encerrar as juntas médicas que se faziam em Samora Correia até ordem em contrário”.
Uma tese refutada pela Segurança Social. Questionado por O MIRANTE sobre os motivos da decisão e sobre uma eventual relação com a investigação que envolve a médica Emuna Mia - suspeita de um alegado esquema de reformas por invalidez fraudulentas que tinha por base o seu consultório em Santo Estêvão -, o Centro Distrital da Segurança Social de Santarém rejeitou qualquer ligação entre os dois assuntos. “A decisão de transferir este serviço para a sede do distrito não está, de forma alguma, relacionada com qualquer investigação que tenha sido noticiada, nomeadamente aquela que envolve a médica referida”, esclareceu a Segurança Social, em resposta a O MIRANTE.
Segundo a mesma entidade, o Serviço de Verificação de Incapacidades, vulgarmente designado por juntas médicas, funcionava em Samora Correia apenas um dia por semana e tinha como âmbito exclusivo as incapacidades temporárias, ou seja, a avaliação médica para efeitos de manutenção, ou não, do direito ao subsídio de doença. O Centro Distrital da Segurança Social sublinha que este serviço é distinto das juntas médicas destinadas à avaliação de incapacidades permanentes, nomeadamente para efeitos de atribuição de pensão de invalidez.
A transferência para Santarém insere-se, de acordo com a Segurança Social, “num processo mais amplo de reestruturação e optimização de espaços”, actualmente em curso, tendo como objectivo uma gestão mais eficaz dos recursos, a racionalização dos espaços e a melhoria das condições para utentes e profissionais.
Os utentes de Samora Correia que necessitem de recorrer ao Serviço de Verificação de Incapacidades passam a ser encaminhados para a sede do distrito, onde, garante a Segurança Social, o serviço “se mantém disponível e funcional”. Quanto às instalações onde funcionavam as juntas médicas em Samora Correia, o Centro Distrital de Santarém adianta que os restantes serviços existentes naquele espaço continuam a funcionar em pleno. A entidade acrescenta ainda que, sempre que se registam alterações nos serviços, os utentes e a comunidade são devidamente informados.


