Política | 27-05-2026 10:32

Abrantes só recebeu um milhão para prejuízos que ultrapassam os 16 milhões

Abrantes só recebeu um milhão para prejuízos que ultrapassam os 16 milhões

Município considera insuficiente o apoio do Estado para recuperar dos estragos provocados pela tempestade Kristin e pelas cheias de Janeiro. Manuel Valamatos diz que Abrantes foi penalizada por critérios que não reflectem a dimensão real dos danos no concelho.

Abrantes recebeu até agora cerca de um milhão de euros de apoio estatal para fazer face a prejuízos superiores a 16 milhões de euros provocados pela tempestade Kristin e pelas cheias que atingiram o concelho no final de Janeiro. O presidente da Câmara Municipal de Abrantes, Manuel Jorge Valamatos, considera a verba manifestamente insuficiente e não escondeu a frustração perante a resposta do Governo. “Temos mais de 16 milhões de euros de prejuízos e, até ao momento, recebemos um milhão de euros”, afirmou o autarca na reunião do executivo municipal realizada terça-feira, 26 de Maio. Quatro meses depois da tempestade que atingiu o território na madrugada de 28 de Janeiro, os estragos continuam bem visíveis em estradas, taludes, património, infraestruturas municipais e habitações.
Segundo Manuel Valamatos, já foram atribuídos cerca de 250 mil euros a 65 famílias cujas casas de primeira habitação foram afectadas, através do apoio criado pelo Governo. Existem ainda dezenas de processos em reapreciação. Além desse montante, o município recebeu cerca de 300 mil euros da Agência Portuguesa do Ambiente e do Fundo Ambiental para intervenções na Ribeira de Rio de Moinhos e na barragem da Escola de Desenvolvimento Rural de Mouriscas, bem como 700 mil euros transferidos pelo Estado para apoio geral à recuperação. O problema, defende o presidente da câmara, está nos critérios definidos para a distribuição das verbas. Manuel Jorge Valamatos considera que o Governo valorizou sobretudo o número de casas de primeira habitação afectadas, deixando de fora a verdadeira dimensão dos danos sofridos por Abrantes, onde os maiores prejuízos resultaram das cheias, das derrocadas e da saturação dos solos. “Sentimo-nos frustrados”, afirmou.
Uma das situações mais preocupantes é a Estrada Nacional 2, no Espinhaço de Cão, junto ao castelo de Abrantes, onde a circulação continua limitada a uma faixa de rodagem e regulada por semáforos devido ao risco de derrocada. A intervenção, que deverá custar vários milhões de euros, está sob responsabilidade da Infraestruturas de Portugal, que prepara um projecto de estabilização profunda do talude. O autarca apontou ainda problemas em estradas municipais, nomeadamente entre Martinchel e Constância e na zona das Sentieiras. “Não podemos apenas requalificar, é preciso requalificar com sentido de maior resiliência para não voltar a acontecer”, sublinhou. Também o castelo de Abrantes sofreu danos relevantes, com derrocadas parciais nas muralhas. O jardim permanece encerrado ao público por razões de segurança e o município está a preparar projectos de requalificação para aquele património nacional, reclamando maior envolvimento financeiro do Estado.
À margem da reunião, Manuel Jorge Valamatos criticou ainda declarações recentes do ministro da Economia e da Coesão Territorial, Castro Almeida, sobre diferenças de eficiência entre municípios na avaliação de danos e gestão dos apoios. “É absolutamente injusto”, reagiu, defendendo que as autarquias têm feito “um esforço incrível” para responder às exigências administrativas e apoiar as populações afectadas. O presidente da Câmara de Abrantes considerou, por outro lado, que o relatório da Presidência da República sobre as tempestades faz uma leitura “equilibrada e sensata” da situação vivida nos territórios afectados, ao defender respostas públicas mais rápidas e robustas para apoiar municípios e populações.

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