Golegã com resultado negativo de 1,38 milhões apesar de cumprir equilíbrio orçamental
Câmara da Golegã fechou 2025 com um prejuízo de 1,38 milhões de euros, agravando o resultado negativo do ano anterior, apesar de garantir que cumpriu o equilíbrio orçamental.
A Câmara Municipal da Golegã encerrou o exercício económico de 2025 com um resultado líquido negativo de 1,38 milhões de euros, segundo o relatório de gestão, já aprovado por unanimidade pelo executivo e pela Assembleia Municipal. O valor representa um agravamento face ao resultado negativo de 800 mil euros registado em 2024. De acordo com o documento, os rendimentos cresceram 2,4% em relação ao ano anterior, mas os gastos aumentaram 7,73%, diferença que explica o prejuízo contabilístico. A autarquia, liderada por António Camilo, eleito por um movimento independente desde 2021, atribui o resultado ao aumento generalizado dos custos, num contexto internacional marcado pela guerra na Ucrânia, tensões no Médio Oriente e instabilidade económica global. Entre os principais factores de pressão financeira estão as despesas com pessoal, que ascenderam a 4,5 milhões de euros, e os fornecimentos e serviços externos, no valor de 2,9 milhões. No conjunto, estas duas rubricas representaram mais de 67% das despesas totais do município. Apesar do resultado negativo, a câmara sublinha que foi cumprido o princípio do equilíbrio orçamental, uma vez que as receitas correntes superaram as despesas correntes em cerca de 314 mil euros. A receita total cobrada atingiu 13,79 milhões de euros, mais 2,17 milhões do que em 2024, com uma taxa de execução global de 80,92%.
As receitas correntes tiveram uma execução de 89,39%, com destaque para as transferências correntes, que chegaram aos 5,6 milhões de euros, os impostos directos, que ultrapassaram 1,26 milhões, e as taxas e multas, que rondaram os 839 mil euros. Já as receitas de capital ficaram abaixo do previsto, com uma execução de 65,39%. Do lado da despesa, o município pagou 11,83 milhões de euros, mais dois milhões do que no ano anterior, correspondendo a 69,38% da dotação corrigida. As despesas correntes tiveram uma execução de 86,28%, enquanto as despesas de capital se ficaram pelos 46,59%, devido à não concretização de parte do investimento previsto. O relatório indica ainda que as funções sociais concentraram cerca de 74% dos gastos, o que a autarquia apresenta como sinal da prioridade dada à resposta às necessidades da população. A dívida total do município aumentou 332 mil euros, uma subida de 14,35%, sobretudo devido ao crescimento da dívida a fornecedores e fornecedores de investimento. No final de 2025, a dívida da Câmara da Golegã estava fixada em 2,6 milhões de euros. O exercício gerou ainda um saldo de gerência de 3,44 milhões de euros, resultante da diferença entre receitas e despesas e do saldo transitado do ano anterior.


