Samora Correia quer voltar a ser concelho mas Sónia Ferreira aponta caminho da união
A restauração do antigo concelho de Samora Correia voltou ao debate político local pela mão do movimento Mais Samora, que apresentou a iniciativa ao executivo municipal de Benavente e ouviu da presidente da câmara uma resposta cautelosa, na defesa de uma estratégia comum para todo o concelho.
O movimento Mais Samora defende a criação do concelho de Samora Correia, actualmente integrada no município de Benavente, sustenta que a freguesia reúne condições históricas, demográficas, económicas e administrativas para recuperar a autonomia municipal que perdeu em 1836, na sequência da reforma administrativa liberal. A proposta foi apresentada na mais recente reunião de câmara de Benavente por representantes do movimento, que sublinharam tratar-se de uma iniciativa apartidária, “construtiva e positiva”, que pretende decorrer “com total transparência, responsabilidade democrática e respeito por todas as instituições”.
Marisa Sousa, do movimento Mais Samora, afirmou que a iniciativa “não surge contra os órgãos autárquicos recentemente eleitos”, defendendo antes a restauração de uma “realidade administrativa que foi suprimida em 1836”. A responsável sustentou que Samora Correia, a par de lugares como Porto Alto, Arados, Catapereiro, Pancas e Campo de Tiro, constitui a maior freguesia do concelho de Benavente e concentra a maior fatia populacional do município. O movimento invoca ainda a centralidade geográfica da freguesia, as acessibilidades rodoviárias, a proximidade a Lisboa, Vila Franca de Xira e ao futuro novo aeroporto, o crescimento demográfico e económico, a existência de equipamentos colectivos e a presença de mais de 20 associações, empresas industriais, comércio, serviços, estruturas de saúde, apoio social, cultura e desporto.
A presidente da Câmara de Benavente, Sónia Ferreira (PSD), agradeceu a apresentação do movimento e defendeu que a criação de novos concelhos deve ser analisada “com prudência e algum sentido estratégico”, tendo em conta os desafios actuais. Lembrou que, nos últimos anos, a organização administrativa tem seguido o caminho da agregação de estruturas, apontando como exemplos as CCDR, as comunidades intermunicipais e as NUT, num processo que, segundo afirmou, vem no seguimento de juntar e não separar. “Penso que o caminho será de juntarmos, unir esforços, ter uma Junta de Freguesia de Samora Correia forte, com uma câmara a apoiar a maior freguesia do município, com maior população, e sim, juntos seguiremos e conseguiremos ter bons resultados para todos”, afirmou.
O vereador Paulo Cardoso, eleito pelo Chega, disse intervir enquanto munícipe e considerou que Samora Correia tem viabilidade económica e financeira, população mínima e equipamentos colectivos básicos para poder aspirar a município. Ainda assim, alertou para o que considera ser o principal entrave: a necessidade de não fragilizar o concelho de origem. Pedro Gameiro, eleito pelo PS, manifestou disponibilidade para ouvir o movimento e defendeu que a câmara deve perceber as motivações e a informação que os seus representantes têm para apresentar.
Frederico Colaço Antunes, eleito pelo Chega, também sublinhou o carácter apartidário do movimento e referiu que o partido ainda não deu indicação sobre a posição a tomar a nível distrital, lembrando que a criação de novos concelhos é uma matéria que não se coloca apenas em Benavente, mas também noutros territórios, dando como exemplo Fátima.
Já Hélio Justino, da CDU, considerou que a criação de novos municípios é essencialmente uma questão de “vontade política”. O autarca rejeitou que a eventual insuficiência financeira seja um argumento determinante, defendendo que os mecanismos e critérios de financiamento dos municípios permitem ultrapassar essas questões.


