Política | 01-06-2026 18:00

Casa dos Patudos motiva debate político em Alpiarça

Casa dos Patudos motiva debate político em Alpiarça
CDU e executivo trocaram argumentos sobre a valorização patrimonial e cultural do espaço - foto DR

Deputado da CDU criticou a quebra de visitantes e acusou o executivo de afunilar a programação do museu para o público juvenil. Sónia Sanfona respondeu com críticas ao anterior modelo de gestão, que diz ter deixado a Casa dos Patudos degradada.

A gestão e dinamização da Casa dos Patudos voltou a aquecer o debate político em Alpiarça. Durante a discussão das contas de 2025 do município, na assembleia municipal, a estratégia cultural seguida pelo executivo liderado por Sónia Sanfona esteve no centro de uma troca de críticas entre a CDU e a presidente da câmara. O deputado Ricardo Hipólito (CDU) começou por alertar para a “quebra bastante acentuada de visitantes” da Casa dos Patudos em relação a anos anteriores, considerando que a programação actual está demasiado centrada no público infantil e juvenil. Embora tenha reconhecido a importância dessas iniciativas, defendeu que o museu tem condições para ir muito mais longe. “A Casa dos Patudos e a figura de José Relvas têm pano para mangas para desenvolver diversas actividades”, afirmou, apontando áreas como a política, a história, o património artístico e a importância socioeconómica da família Relvas. Para o eleito da CDU, apesar da anunciada mudança de “paradigma” na gestão do espaço, essa nova dinâmica ainda não é visível. “Parece-me que a actividade que está a ocorrer actualmente na Casa dos Patudos está a ficar muito aquém”, criticou.
Sónia Sanfona respondeu defendendo a estratégia seguida pelo município e garantindo que, quando chegou ao executivo, encontrou a Casa dos Patudos “em degradação completa”. A autarca sustentou que foi necessário intervir primeiro na preservação do património, na conservação do edifício e na própria estrutura do museu antes de avançar para outras dimensões de programação e valorização. A presidente da câmara justificou também a aposta no serviço educativo e nas actividades dirigidas aos mais jovens, considerando que é através desse trabalho que se cria “uma educação para a cultura, para a museologia e para a história”. Sónia Sanfona apontou ainda dificuldades na contratação e fixação de pessoal qualificado para acompanhar visitas guiadas, criticando o facto de, no modelo anterior, as explicações dependerem demasiado de quem conduzia a visita. “Consoante a pessoa que fazia a visita, tínhamos perspectivas e informações até contraditórias entre si”, afirmou.
Ricardo Hipólito voltou a intervir para acusar a presidente da câmara de fazer uma apreciação “profundamente injusta” do trabalho anteriormente desenvolvido na Casa dos Patudos. O deputado da CDU sublinhou que nunca pôs em causa o trabalho com crianças e jovens, mas sim o que considera ser um “afunilamento do público-alvo” do museu. Sónia Sanfona garantiu, por seu lado, que o município está a dar passos para reforçar a valorização da Casa dos Patudos, adiantando que a autarquia está a trabalhar para integrar o espaço na Rede Portuguesa de Museus. A presidente da câmara revelou ainda que foi aprovada uma candidatura às Sete Maravilhas de Portugal, que poderá dar nova visibilidade ao museu e ao legado de José Relvas.

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