Política | 14-06-2026 21:00

Autarcas unânimes: garantir parques infantis seguros exige tempo e dinheiro

Autarcas unânimes: garantir parques infantis seguros exige tempo e dinheiro
Peças difíceis de substituir e falta de sombra são desafios comuns nos parques infantis - foto O MIRANTE

No Dia Internacional do Brincar, autarcas de Benavente, Samora Correia e Coruche reconhecem que a manutenção dos parques infantis é cada vez mais exigente, entre regras de segurança, peças difíceis de substituir e necessidade de criar zonas de sombra para combater o calor.

As exigências legais, a falta de sombras e a dificuldade em substituir peças danificadas são factores que condicionam a manutenção dos parques infantis em todo o país, o que se reflecte também nas localidades de Benavente, Samora Correia e Coruche. No Dia Internacional do Brincar, assinalado a 28 de Maio, autarcas dos dois concelhos admitem que garantir espaços seguros e confortáveis para as crianças exige tempo, investimento e procedimentos que nem sempre permitem respostas imediatas.
Em Samora Correia, o presidente da junta, Jorge Paiva, explica que a freguesia tem 16 parques infantis sob sua responsabilidade e que foi assinado o procedimento de contratação para intervir em 13 desses espaços. Outros três necessitam de uma avaliação mais profunda, por exigirem obras de maior dimensão.
O autarca refere que a Câmara de Benavente realiza inspecções trimestrais aos parques, mas a junta pretende avançar também com a certificação anual obrigatória através de uma empresa credenciada, algo que não sucedia até à entrada do actual executivo. Jorge Paiva admite que, até agora, muita da manutenção era feita, “e bem, com a boa vontade dos funcionários da junta”, mas para garantir que todos os equipamentos cumpram as normas legais é preciso envolver outras entidades.
A substituição de peças é um dos principais entraves. Segundo Jorge Paiva, muitos equipamentos são importados da China ou da Alemanha e, ao fim de poucos anos, deixam de ter componentes disponíveis no mercado, o que torna as reparações mais demoradas. No Arneiro dos Corvos, por exemplo, um trampolim avariado está vedado enquanto a junta aguarda pela peça necessária.
Em Benavente, a presidente da junta, Ivete Mateus, reconhece que muitos parques infantis foram herdados sem estarem preparados para as exigências actuais, sobretudo ao nível da sombra e do conforto térmico. A autarca sublinha que não é possível reparar e reabrir equipamentos sem garantir o cumprimento das normas de segurança.

Exigência legal é muito grande
Também em Coruche, o presidente da câmara, Nuno Azevedo, reconhece que a exigência legal “é muito grande” e implica verificações regulares, algumas mais exaustivas, para garantir que os equipamentos estão certificados e em condições de segurança. O autarca lembra que os parques “fazem falta”, numa altura em que as crianças passam cada vez mais tempo fechadas, ligadas à escola e aos ecrãs.
Nuno Azevedo admite que as reparações não são imediatas, porque os parques não são todos iguais, nem pertencem às mesmas marcas ou fornecedores. Muitas vezes, só é possível intervir depois de ocorrer o dano, sendo necessário comprar a peça ou contratar uma empresa para executar a reparação.
A falta de sombra é outro problema comum. Jorge Paiva reconhece que há parques em Samora Correia completamente expostos ao sol, onde os brinquedos ficam demasiado quentes durante o Verão. Em Coruche, Nuno Azevedo afirma que as alterações climáticas tornaram o tema ainda mais desafiante e que há horas do dia em que a utilização destes equipamentos se torna difícil devido à temperatura que atingem.
O município de Coruche está a trabalhar em soluções de sombreamento, não só em parques infantis públicos, mas também em recreios escolares onde a sombra não foi contemplada. Nuno Azevedo considera que não é aceitável que as crianças fiquem sem espaço de recreio nos dias de chuva e também nos dias de sol. A autarquia tem em fase mais adiantada processos para intervir em três parques infantis: Parque do Sorraia, Quinta do Lago e Parque do Vale, no Bairro da Areia. Em Benavente, a requalificação do parque infantil dos Foros da Charneca, recentemente vandalizado, é uma das intervenções já identificadas como prioritárias.

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