Funcionários da Junta de Alenquer denunciam uso de dinheiro de sucata em almoço de despedida de ex-presidente
Trabalhadores da União de Freguesias de Alenquer entregaram 30 euros na assembleia de freguesia e alegam que o restante da verba resultante da venda de ferro velho foi usado num almoço de despedida do ex-presidente. Paulo Matias nega ter conhecimento da situação.
Funcionários da União de Freguesias de Alenquer entregaram um envelope com 30 euros à mesa da Assembleia de Freguesia, na reunião de 15 de Junho, dizendo tratar-se de parte das verbas da venda de ferro velho realizada no anterior mandato. Segundo denunciaram os trabalhadores, o ferro velho vendido foi utilizado para pagar o almoço de despedida do anterior presidente da junta, Paulo Matias, actual vice-presidente da Câmara de Alenquer (PS).
“O senhor Paulo Matias mandou funcionários da junta vender ferro velho e, com esse dinheiro, fez um almoço e convidou certas pessoas. Não todos os funcionários, mas alguns, e hoje tenho aqui o resto do dinheiro que me foi dado por outro colega e vou entregar o envelope”, disse o funcionário da junta Paulo Costa, no período destinado ao público na assembleia de freguesia.
Após as perguntas dos autarcas, outro funcionário da junta explicou que a questão da venda de ferro velho já tinha sido levantada numa assembleia, mas que não havia provas. Segundo relatou, confrontaram outros colegas no estaleiro da junta e decidiram que o dinheiro que sobrara seria dividido por todos os funcionários ou entregue à junta. Na divisão da verba couberam dez euros a cada um, sendo que três funcionários recusaram receber o dinheiro e o devolveram na reunião.
Outra funcionária da junta, Maria do Rosário, interveio para dizer que no almoço realizado em casa de Paulo Matias estavam apenas alguns trabalhadores e “ninguém de fora”, acrescentando que o problema surgiu precisamente porque nem todos foram convidados. Quanto ao material, tratava-se de ferro velho recolhido em vários locais, nomeadamente junto aos caixotes do lixo, afirmou, acrescentando que “como nem todos apanhavam, nem todos comiam”.
O presidente da União de Freguesias de Alenquer, Micael Correia, eleito pelo Todos, explicou que já tinha conhecimento do assunto através dos funcionários, mas que sem provas não podia acusar ninguém. Prometeu que situações semelhantes não voltarão a acontecer e garantiu que “se houver ferro velho para vender, será vendido a uma empresa certificada e haverá factura e recibo da compra do mesmo”.
Confrontado com as acusações, Paulo Matias disse a O MIRANTE desconhecer qualquer tipo de venda de ferro velho e que, “do seu conhecimento, não havia esse negócio”. Afirmou ainda nunca ter sido contactado para prestar esclarecimentos em assembleias de freguesia após a sua saída. O actual vice-presidente do Município de Alenquer alega retaliações de um grupo de funcionários com motivações políticas e afirma que “não vai entrar nesse tipo de discussões”, nem avançar com qualquer procedimento judicial.
Micael Correia disse ao jornal que entregou o assunto ao advogado para perceber como proceder relativamente aos 30 euros e que apenas após parecer jurídico tomará uma decisão.
NOTICIA PARA LER NA ÍNTEGRA NUMA EDIÇÃO IMPRESSA DE O MIRANTE


