Política | 20-06-2026 21:00

Vereador da CDU em nova polémica por uso de carro da Câmara de Azambuja

Vereador da CDU em nova polémica por uso de carro da Câmara de Azambuja
António Torrão, ex-presidente da Junta de Aveiras de Cima, assumiu funções como vereador na Câmara de Azambuja no actual mandato autárquico - foto O MIRANTE

Munícipe de Azambuja denunciou em reunião de câmara que António Torrão voltou a usar uma viatura municipal para fins pessoais, desta vez para se deslocar a uma tomada de posse numa colectividade do concelho. Caso reacende críticas sobre a utilização de bens públicos no município.

O vereador da CDU na Câmara de Azambuja, António Torrão, voltou a estar no centro da polémica por alegada utilização de uma viatura municipal para fins pessoais. O assunto foi levantado na reunião do executivo camarário de 9 de Junho pelo munícipe José Manuel Pratas, que afirmou ter visto o autarca a deslocar-se num carro da câmara para um compromisso pessoal, relacionado com a tomada de posse dos órgãos sociais da Casa do Povo de Aveiras de Cima.
“Não quero escavacar nenhum casamento”, disse José Manuel Pratas, numa alusão ao entendimento político entre PS e CDU que sustenta a governação municipal em Azambuja. O munícipe afirmou que, no domingo, 31 de Maio, pelas 20h30, António Torrão “voltou a utilizar a viatura da câmara para serviços pessoais”, classificando a situação como reincidente. “Não aceito uma coisa dessas. Nunca fui da PIDE, mas há coisas que temos de denunciar. Além da fotografia tenho testemunhas”, disse o cidadão, que já foi vereador do PS na Câmara de Azambuja.
José Manuel Pratas dirigiu-se ainda à vereadora do PSD Margarida Lopes, perguntando-lhe se queria “tomar conta deste caso”, à semelhança do que, segundo referiu, aconteceu no episódio anterior envolvendo o mesmo vereador.
Na sua intervenção, Margarida Lopes confirmou que também já tinha visto António Torrão numa viatura municipal em circunstâncias que considerou indevidas. A vereadora social-democrata recordou o caso em que viu o eleito da CDU num hipermercado no Cartaxo, alegadamente a fazer compras pessoais com o carro da autarquia, e questionou directamente o autarca sobre a nova denúncia. “Confirma que estava a utilizar a viatura em proveito próprio?”, perguntou a vereadora do PSD, acrescentando que a situação não se limita a António Torrão. “Não é só o vereador Torrão, são vários os elementos deste executivo que utilizam as viaturas em proveito próprio e gostava que o senhor presidente resolvesse este assunto”, afirmou.

Presidente desvaloriza

O presidente do município, Silvino Lúcio (PS), desvalorizou a intervenção da vereadora do PSD. “A senhora vereadora devia preocupar-se com outras coisas, mas enfim”, respondeu o autarca. Por sua vez, António Torrão rejeitou que estivesse perante uma situação grave e explicou que reside em Aveiras de Cima e que, nesse domingo, tinha estado na vila de Azambuja ao longo do dia, onde decorria a Feira de Maio. Segundo o vereador da CDU, a tomada de posse dos novos órgãos sociais da Casa do Povo de Aveiras de Cima, colectividade da qual é presidente da assembleia-geral, foi marcada para depois da corrida de toiros, obrigando-o a deslocar-se de Azambuja para Aveiras de Cima. “Estava em Azambuja, moro em Aveiras de Cima e desloquei-me. Tinha o carro ao pé da Casa do Povo”, justificou António Torrão.
A nova denúncia surge poucos meses depois de O MIRANTE ter noticiado que António Torrão admitiu, em reunião pública, ter utilizado uma viatura municipal para fazer compras pessoais num hipermercado no Cartaxo. Nesse caso, o vereador da CDU reconheceu que tinha parado num hipermercado depois de uma reunião que teve em Santarém na qualidade de vereador, justificando a paragem com a compra de bens de primeira necessidade. O PSD de Azambuja anunciou então a intenção de apresentar queixa-crime ao Ministério Público, por considerar estar em causa uma utilização indevida de bens públicos.
O episódio reacende a discussão sobre as regras de utilização das viaturas municipais em Azambuja e coloca novamente pressão sobre o presidente Silvino Lúcio, que governa sem maioria absoluta e com um acordo político entre PS e CDU. A oposição social-democrata, recorde-se, sugeriu a criação de um regulamento que estabeleça normas rigorosas para o uso de veículos da frota municipal com o PS a dizer estar disponível para avançar.

Vereador manda munícipe “ir a um psiquiatra”

A discussão em torno da utilização da viatura municipal subiu de tom quando António Torrão respondeu directamente a José Manuel Pratas. O vereador da CDU afirmou que o munícipe “tem demência” e que “poderia ser tratado”, acrescentando que “deve ir a um psiquiatra”, porque “já nem um psicólogo lá vai”.
António Torrão disse ainda que José Manuel Pratas, também ex-presidente da Casa do Povo de Aveiras de Cima, tem agora como “foco” a sua pessoa, relacionando a denúncia com derrotas em anteriores actos eleitorais. “Perdeu uma eleição e comigo já perdeu duas. Todos vamos ter um tempo de passagem”, afirmou o vereador, recusando entrar no que classificou como “joguinhos”.

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