Vereador da CDU em nova polémica por uso de carro da Câmara de Azambuja
Munícipe de Azambuja denunciou em reunião de câmara que António Torrão voltou a usar uma viatura municipal para fins pessoais, desta vez para se deslocar a uma tomada de posse numa colectividade do concelho. Caso reacende críticas sobre a utilização de bens públicos no município.
O vereador da CDU na Câmara de Azambuja, António Torrão, voltou a estar no centro da polémica por alegada utilização de uma viatura municipal para fins pessoais. O assunto foi levantado na reunião do executivo camarário de 9 de Junho pelo munícipe José Manuel Pratas, que afirmou ter visto o autarca a deslocar-se num carro da câmara para um compromisso pessoal, relacionado com a tomada de posse dos órgãos sociais da Casa do Povo de Aveiras de Cima.
“Não quero escavacar nenhum casamento”, disse José Manuel Pratas, numa alusão ao entendimento político entre PS e CDU que sustenta a governação municipal em Azambuja. O munícipe afirmou que, no domingo, 31 de Maio, pelas 20h30, António Torrão “voltou a utilizar a viatura da câmara para serviços pessoais”, classificando a situação como reincidente. “Não aceito uma coisa dessas. Nunca fui da PIDE, mas há coisas que temos de denunciar. Além da fotografia tenho testemunhas”, disse o cidadão, que já foi vereador do PS na Câmara de Azambuja.
José Manuel Pratas dirigiu-se ainda à vereadora do PSD Margarida Lopes, perguntando-lhe se queria “tomar conta deste caso”, à semelhança do que, segundo referiu, aconteceu no episódio anterior envolvendo o mesmo vereador.
Na sua intervenção, Margarida Lopes confirmou que também já tinha visto António Torrão numa viatura municipal em circunstâncias que considerou indevidas. A vereadora social-democrata recordou o caso em que viu o eleito da CDU num hipermercado no Cartaxo, alegadamente a fazer compras pessoais com o carro da autarquia, e questionou directamente o autarca sobre a nova denúncia. “Confirma que estava a utilizar a viatura em proveito próprio?”, perguntou a vereadora do PSD, acrescentando que a situação não se limita a António Torrão. “Não é só o vereador Torrão, são vários os elementos deste executivo que utilizam as viaturas em proveito próprio e gostava que o senhor presidente resolvesse este assunto”, afirmou.
Presidente desvaloriza
O presidente do município, Silvino Lúcio (PS), desvalorizou a intervenção da vereadora do PSD. “A senhora vereadora devia preocupar-se com outras coisas, mas enfim”, respondeu o autarca. Por sua vez, António Torrão rejeitou que estivesse perante uma situação grave e explicou que reside em Aveiras de Cima e que, nesse domingo, tinha estado na vila de Azambuja ao longo do dia, onde decorria a Feira de Maio. Segundo o vereador da CDU, a tomada de posse dos novos órgãos sociais da Casa do Povo de Aveiras de Cima, colectividade da qual é presidente da assembleia-geral, foi marcada para depois da corrida de toiros, obrigando-o a deslocar-se de Azambuja para Aveiras de Cima. “Estava em Azambuja, moro em Aveiras de Cima e desloquei-me. Tinha o carro ao pé da Casa do Povo”, justificou António Torrão.
A nova denúncia surge poucos meses depois de O MIRANTE ter noticiado que António Torrão admitiu, em reunião pública, ter utilizado uma viatura municipal para fazer compras pessoais num hipermercado no Cartaxo. Nesse caso, o vereador da CDU reconheceu que tinha parado num hipermercado depois de uma reunião que teve em Santarém na qualidade de vereador, justificando a paragem com a compra de bens de primeira necessidade. O PSD de Azambuja anunciou então a intenção de apresentar queixa-crime ao Ministério Público, por considerar estar em causa uma utilização indevida de bens públicos.
O episódio reacende a discussão sobre as regras de utilização das viaturas municipais em Azambuja e coloca novamente pressão sobre o presidente Silvino Lúcio, que governa sem maioria absoluta e com um acordo político entre PS e CDU. A oposição social-democrata, recorde-se, sugeriu a criação de um regulamento que estabeleça normas rigorosas para o uso de veículos da frota municipal com o PS a dizer estar disponível para avançar.
Vereador manda munícipe “ir a um psiquiatra”
A discussão em torno da utilização da viatura municipal subiu de tom quando António Torrão respondeu directamente a José Manuel Pratas. O vereador da CDU afirmou que o munícipe “tem demência” e que “poderia ser tratado”, acrescentando que “deve ir a um psiquiatra”, porque “já nem um psicólogo lá vai”.
António Torrão disse ainda que José Manuel Pratas, também ex-presidente da Casa do Povo de Aveiras de Cima, tem agora como “foco” a sua pessoa, relacionando a denúncia com derrotas em anteriores actos eleitorais. “Perdeu uma eleição e comigo já perdeu duas. Todos vamos ter um tempo de passagem”, afirmou o vereador, recusando entrar no que classificou como “joguinhos”.


