Política | 29-06-2026 10:00

Mais de 12,7 milhões para devolver dignidade às famílias atingidas em Ourém

Mais de 12,7 milhões para devolver dignidade às famílias atingidas em Ourém

Luís Albuquerque diz que o concelho cumpriu o dever de estar ao lado das populações e aponta mais de 12,7 milhões de euros em apoios às primeiras habitações. Apesar dos elogios do Governo, o autarca reconhece que há ainda estradas, equipamentos, escolas, património e associações a recuperar num processo que continua a exigir músculo, dinheiro e persistência.

Ourém foi violentamente atingido pelas tempestades, mas a Câmara Municipal quer afirmar o concelho como um exemplo nacional de resposta à destruição. Na última Assembleia Municipal, o presidente da autarquia, Luís Albuquerque, fez um balanço duro dos estragos, mas também reivindicou o trabalho desenvolvido pelo município na recuperação do território e no apoio às famílias que viram as suas casas afectadas.
O autarca apresentou números expressivos: 12.763.755,91 euros de apoio às casas de primeira habitação, num universo de 3.758 candidaturas. Destas, 2.877 já foram pagas, 866 foram indeferidas e 15 continuam em análise final pela CCDR. Para Luís Albuquerque, este processo está concluído do lado da autarquia e representa mais do que uma resposta administrativa. Representa, defendeu, uma escolha política clara: colocar as pessoas à frente da burocracia, do cálculo e da distância fria dos gabinetes.
O presidente da câmara lembrou as palavras do ministro da Economia e da Coesão Territorial na cerimónia solene do Dia do Município, considerando que o reconhecimento público de Ourém como referência nacional é motivo de satisfação, orgulho e sentimento de dever cumprido. Num concelho ferido pela força da intempérie, Luís Albuquerque quis deixar a mensagem de que a autarquia não se limitou a gerir formulários: esteve no terreno, acompanhou famílias, mobilizou serviços e procurou responder à escala de uma tragédia que deixou marcas profundas.
Também no património monumental, a autarquia procurou transformar a recuperação em sinal de resistência. A reabertura do castelo de Ourém, a 4 de Junho, com a presença da ministra da Cultura, Juventude e Desporto, foi apresentada pelo autarca como um momento simbólico. O monumento, atingido pela tempestade, reabriu antes da época alta da vila medieval, evitando que a ferida patrimonial se prolongasse para dentro da principal época turística. Para Luís Albuquerque, o elogio da governante ao trabalho realizado confirma que o executivo está no caminho certo.
Mas o discurso do presidente da câmara não escondeu a dimensão dos problemas que continuam por resolver. Os efeitos das tempestades foram avassaladores e a normalidade ainda não regressou por inteiro ao concelho. Há nove vias que continuam encerradas ao trânsito e cuja requalificação está agora em fase de procedimentos concursais. São estradas que representam mais do que alcatrão danificado: são ligações interrompidas, rotinas alteradas e populações obrigadas a conviver com os efeitos prolongados da destruição.
Nos equipamentos municipais, a lista de danos também pesa. Estão em curso procedimentos para recuperar o Centro de Recolha Oficial, o Centro de Saúde de Caxarias e o passadiço do Agroal, infraestruturas atingidas pela tempestade e essenciais para diferentes dimensões da vida do concelho. A recuperação destes espaços será decisiva para devolver serviços, segurança e confiança às populações.
Na área florestal, Luís Albuquerque sublinhou que Ourém foi o primeiro concelho do país a ver aprovada a OIGP 2.0. Segundo o autarca, decorrem trabalhos de retirada de material lenhoso e limpeza de vias florestais nos polígonos identificados pelo ICNF, estando 99% dos caminhos florestais desimpedidos. Numa região onde a floresta é riqueza, mas também risco, esta intervenção é apresentada como uma frente essencial da reconstrução e da prevenção.
As escolas danificadas pela intempérie serão intervencionadas durante a interrupção lectiva, estando já a decorrer os procedimentos administrativos para corrigir os estragos. Também aqui, a prioridade passa por impedir que a tempestade deixe marcas no início do próximo ano escolar, afectando alunos, professores e famílias.
O autarca deu ainda destaque ao apoio da Jerónimo Martins na recuperação de edifícios de IPSS e de casas de primeira habitação que ficaram sem condições mínimas para receber de volta as famílias. Luís Albuquerque classificou essa intervenção como uma notícia que merece ser conhecida, por traduzir um gesto de solidariedade e mecenato de grande escala perante uma comunidade atingida por uma catástrofe.
A resposta municipal estende-se ainda às associações culturais e recreativas, muitas delas também feridas nos seus espaços e sedes, mas sem acesso a uma linha nacional de financiamento semelhante à criada para as associações desportivas. O presidente da câmara garantiu que o município está a trabalhar ao lado dessas colectividades, reconhecendo o seu papel na vida das freguesias e na coesão social do concelho.
Também as juntas de freguesia terão apoio na reconstrução do seu património, através de protocolos financeiros próximos dos 500 mil euros. Para Luís Albuquerque, esta resposta demonstra que a recuperação não pode ficar confinada aos grandes equipamentos ou aos casos mais visíveis. Tem de chegar ao território real, às aldeias, às instituições, às estradas, às escolas, às famílias e às estruturas que mantêm as comunidades de pé.
O presidente da Câmara de Ourém assumiu que o caminho ainda será longo, mas garantiu que o município continuará empenhado em reerguer o concelho “o mais depressa possível” e sem deixar ninguém para trás. A mensagem deixada na Assembleia Municipal foi de resistência e de compromisso: Ourém foi atingido com violência, mas quer sair desta crise de cabeça levantada, com a força de uma comunidade que não se resignou perante a destruição.

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