Jodel de Aveiras de Cima dá a volta a 21 meses de insolvência e está a laborar com novo dono
Empresa que acumulou 45,5 milhões de euros em dívidas, que esteve em risco de ser vendida ao desbarato, resistiu ao fecho com o empenho e sacrifício de 70 trabalhadores e a determinação da administração judicial, como forma de se valorizar e conseguiu chegar a um desfecho pouco habitual em processos de insolvência. A fábrica foi vendida à Interhigiene, em pleno funcionamento, mantendo todos os trabalhadores.
A fábrica Jodel Hygiene Products Manufacturing, em Aveiras de Cima, que estava em insolvência há quase dois anos, foi vendida e mantém‑se em pleno funcionamento com todos os trabalhadores ao serviço, garante a O MIRANTE o administrador de insolvência, Jorge Calvete. A transacção, que foi facilitada pelo facto de a empresa mesmo em insolvência, não ter deixado de laborar, embora com menos actividade, marca o fim de um período de incerteza para os trabalhadores. O comprador é a Interhigiene, empresa sediada em Serzedelo, Guimarães, que actua no sector desde 2005 e tem vindo a crescer no fabrico e distribuição de produtos de higiene e limpeza para uso profissional e doméstico.
A operação é acompanhada pelo segundo administrador judicial nomeado pelo tribunal, que confirma que a unidade continuará a laborar sem interrupções e com a totalidade dos postos de trabalho assegurados. A Interhigiene produz marcas próprias e marcas para a grande distribuição, como a Porsi do Intermarché, e outras como In, Apta, Class, Soft, além da linha Woof para higiene animal e da gama de cosmética Skyn Cosmetics. Em 2022, a empresa foi distinguida pela revista Exame como melhor PME do sector Química.
Como O MIRANTE noticiou, a empresa acumulava dívidas superiores a 10 milhões de euros só às Finanças e chegou a estar em risco de ser vendida “ao desbarato”, situação que levou trabalhadores e o administrador judicial a manterem a laboração para preservar valor e evitar a degradação dos activos. A Jodel, que produz artigos de higiene e papel tissue, continuou a funcionar graças ao empenho de um núcleo de funcionários que se recusou a abandonar o posto, mesmo perante salários em atraso e falta de matérias‑primas em alguns períodos.
Em Dezembro de 2024, O MIRANTE esteve na festa de Natal da empresa, promovida pelo então administrador de insolvência, José Eduardo de Castro, para reconhecer o esforço dos funcionários e dar alento para continuarem a manter a empresa a funcionar. Já então se percebia que a manutenção da laboração era essencial para evitar a desvalorização dos activos e garantir uma solução que preservasse os empregos. Recorde-se que o então administrador nomeado pelo tribunal apostou nos 30 trabalhadores que restavam, foi buscar mais 40 que tinham rescindido contrato e recomeçou a laboração com 200 mil euros emprestados por um familiar. Dois meses depois pagou o mês de Outubro, quando se iniciou a insolvência, que não lhe pertencia, como forma de segurar e motivar os trabalhadores da empresa que chegou a ter perto de 200 pessoas, tendo pago também Novembro e Dezembro e o subsídio de Natal destes dois meses.
Para este desfecho feliz, que não é muito frequente em situações de insolvência, muito contribuiu o papel dos trabalhadores, com três meses de ordenados em atraso e sem perspectiva numa fábrica que acumulou dívidas de 45,5 milhões de euros, mas que acreditaram que iriam dar a volta por cima.


