Azambuja quer mais estacionamento junto à estação com duplicação da Linha do Norte
Projecto de quadruplicação da Linha do Norte entre Castanheira do Ribatejo e Azambuja prevê a ampliação da infraestrutura ferroviária e obras nas estações, mas deixa de fora uma das principais preocupações do município: a criação de mais estacionamento junto à estação de Azambuja.
De acordo com a empresa pública Infraestruturas de Portugal (IP), as estações e apeadeiros da Castanheira do Ribatejo, Carregado, Vila Nova da Rainha, Espadanal de Azambuja e Azambuja vão receber obras de melhoria e reabilitação, e as linhas de comboio vão ser duplicadas, passando de duas para quatro, no âmbito das obras de ampliação da Linha do Norte. Vão ainda ser expropriados 5.900 metros quadrados (m²) de terrenos e aplicadas medidas de redução de ruído.
No entanto, uma das preocupações dos autarcas de Azambuja é a falta de estacionamento junto às estações, problema que não consta nas pretensões da IP. “O que vêm aqui dizer é zero. Vão criar o caos, porque, se já vêm para Azambuja mil pessoas por dia, com a ampliação da linha vão vir mais. O estacionamento tem de ser construído numa solução tripartida”, alertou o vice-presidente da Câmara de Azambuja, António José Matos (PS), na sessão pública promovida pela Agência Portuguesa do Ambiente (APA), no âmbito do projecto de “Quadruplicação do troço entre Castanheira do Ribatejo e Azambuja, na Linha Ferroviária do Norte”.
Cândida Castro, da IP, aconselhou a Câmara de Azambuja a explanar as preocupações, nomeadamente a questão do estacionamento, no âmbito da consulta pública ao projecto que está a decorrer no portal participa.pt até dia 3 de Julho.
Perguntas sem resposta
A sessão, que decorreu em Azambuja no dia 22 de Junho, não deixou descansado o presidente do município. Silvino Lúcio (PS) refere que muitas das questões têm sido levantadas junto da IP ao longo dos anos, mas sem resposta prática. “Não temos tido abertura para as nossas interrogações. Espero que agora, no parecer que vamos dar até 3 de Julho, tenham em conta as nossas preocupações, nomeadamente o estacionamento”, reiterou o autarca.
Outro dos alertas deixados pelo edil prende-se com as pessoas que vivem no primeiro andar da estação de comboios de Azambuja, algumas já idosas. Sobre essa matéria, Cândida Castro remeteu para a IP Património, entidade que trata do alojamento, referindo que não está nada previsto no calendário da IP para a Linha do Norte naquele troço.
Também a vereadora Ana Coelho pediu à IP para ter em conta as centenas de trabalhadores das empresas logísticas de Vila Nova da Rainha que, diariamente, atravessam a linha de comboio e circulam em zonas perigosas, uma vez que a IP mantém o seu portão fechado. Mais uma vez, esta matéria foi remetida para a consulta pública ao projecto.
“Não conseguimos ultrapassar o problema dos elevadores”
Os elevadores e as estações ferroviárias da Linha do Norte são geridos pela IP. Como temos vindo a noticiar, os elevadores e também as escadas rolantes estão permanentemente avariados nas estações da Póvoa de Santa Iria, Vila Franca de Xira e Azambuja. Nas últimas semanas, os utentes têm denunciado avarias nos elevadores de Vila Nova da Rainha, com os bombeiros a terem de intervir para retirar as pessoas. Um problema que a IP atribui ao vandalismo constante. “Compreendo o problema dos elevadores, mas se instalarmos rampas são mamarrachos. Não conseguimos ultrapassar o problema dos elevadores”, disse Cândida Castro.
À margem da sessão, a responsável disse a O MIRANTE que a maioria dos municípios não quer ficar com a responsabilidade de fazer a manutenção das estações de comboios e explicou que os elevadores mais antigos têm falta de peças, o que atrasa a manutenção. Para Silvino Lúcio, não faz sentido serem as câmaras a gerir as estações de comboio, tendo em conta os problemas que já têm de resolver diariamente. Já o presidente da Câmara de Vila Franca de Xira, Fernando Paulo Ferreira, já tinha mostrado disponibilidade para ficar com essa competência.
Impacto reduzido no Carregado
Os municípios de Vila Franca de Xira e de Alenquer também foram convidados para a sessão, segundo a IP, mas não compareceram. De Alenquer participou o presidente da União de Freguesias de Carregado e Cadafais, Marco Coelho, que ao nosso jornal disse estar mais tranquilo, uma vez que as obras não terão grande impacto para a freguesia. Participou ainda José Martins, presidente da assembleia e ex-presidente daquela união de freguesias. “Praticamente está tudo decidido. A intermodalidade do apeadeiro do Carregado, que está fora do nosso concelho e da nossa freguesia, impacta directamente na nossa e acaba por ser do nosso interesse que seja construído estacionamento. É bom que o nosso município participe, que dê opiniões e que reivindique”, defendeu José Martins.


