Política | 08-07-2026 14:38

PCP quer garantias do Governo para população de Árgea sobre unidade de biometano

central biometano ilustrativ
foto ilustrativa

Projecto para instalar unidade de produção de biometano em Árgea, Torres Novas, já mobilizou moradores, autarcas, assembleia municipal e ambientalistas. Agora chegou à Assembleia da República com o PCP a quer saber que garantias dá o Governo à população e que soluções existem para os acessos rodoviários.

O Grupo Parlamentar do PCP questionou a Ministra do Ambiente e Energia sobre a instalação da unidade de produção de biometano projectada para Árgea, no concelho de Torres Novas, levando para a Assembleia da República uma contestação que há semanas tem crescido no terreno e que juntou moradores, autarcas, movimentos cívicos e associações ambientalistas.

Na pergunta entregue em São Bento, na terça-feira, 7 de Julho e assinada pelo deputado Alfredo Maia, o PCP recorda que o projecto promovido pela Gas da Terra – Sociedade de Reconversão de Resíduos Agrícolas em Energia, Lda. esteve em consulta pública e tem gerado inquietação devido à proximidade às povoações, em particular à localidade de Árgea. A unidade prevê digestão anaeróbia e limpeza de biogás para produção de biometano.

Os comunistas querem saber que garantias dá o Governo de que a localização é adequada e de que serão cumpridos todos os critérios legais e regulamentares para salvaguardar o bem-estar das populações, a saúde pública e o ambiente. O partido pergunta também que fiscalização está a ser feita e será feita ao processo, tendo em conta questões apontadas pela Agência Portuguesa do Ambiente e pelo Estudo de Impacte Ambiental, e que soluções existem para os problemas das vias rodoviárias envolvidas.

Tal como O MIRANTE tem vindo a noticiar, a instalação da unidade junto a Árgea tem provocado forte contestação local, com moradores a alertarem para riscos associados ao tráfego pesado, odores, emissões, ruído, eventual contaminação de poços e linhas de água e perda de qualidade de vida. A dimensão do projecto, previsto para tratar perto de 100 mil toneladas anuais de resíduos biodegradáveis, e a proximidade a habitações agravaram a oposição popular.

O presidente da Câmara de Torres Novas, José Trincão Marques, já assumiu reservas quanto à localização e afirmou que o concelho não tem aptidão para receber uma unidade deste tipo naquele local. Recentemente, também a Assembleia Municipal de Torres Novas aprovou moções contra a localização do projecto, num raro consenso entre as forças políticas representadas no órgão.

A Quercus juntou-se à contestação, pedindo uma Declaração de Impacte Ambiental desfavorável e alertando para riscos sobre os recursos hídricos, a saúde pública e o ordenamento do território. A associação ambientalista defende que uma infraestrutura desta natureza deve ser ponderada em zona industrial consolidada e não junto de povoações.

Do lado da empresa promotora, que tem defendido a valorização de resíduos agrícolas e pecuários como contributo para a economia circular e para a produção de energia renovável, a posição transmitida publicamente tem sido a de que os impactes ambientais foram avaliados e que o projecto prevê medidas de controlo, nomeadamente para reduzir odores, proteger solos e águas e gerir o tráfego de pesados.

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