João Leite reage a críticas socialistas: “O PS em Santarém prefere falar de casas de banho públicas”
O presidente da Câmara de Santarém, João Leite (PSD), não gostou de ouvir um eleito socialista na assembleia municipal criticar o teor de algumas intervenções da bancada social-democrata nesse órgão, que considerou dispensáveis e demasiado laudatórias em relação ao poder. João Leite acusou o PS de não ter uma palavra sobre grandes projectos anunciados, preferindo tentar condicionar a intervenção das outras bancadas e falar de casas de banho públicas. Os socialistas não gostaram.
O eleito do PS na Assembleia Municipal de Santarém, Luís Justino, arriscou meter a foice em seara alheia e na última sessão decidiu criticar “o uso excessivo de tempo de antena” de alguns eleitos da bancada do PSD, “que se foca quase exclusivamente no elogio sistemático e redundante ao trabalho do executivo” camarário. Apesar de reconhecer ser “natural e legítimo” que os deputados municipais da mesma cor política que governa a câmara se revejam e defendam o rumo da actual gestão, Luís Justino considerou que o papel dos deputados municipais “não deve esgotar-se na função de caixa de ressonância ou de aplauso mecânico às decisões tomadas na Praça do Município”.
Na sua reflexão sobre o que têm sido as sessões, Luís Justino enfatizou que a assembleia municipal “é a casa da cidadania de Santarém” e que “o excesso de intervenções laudatórias retira espaço ao debate de ideias e, ironicamente, esvazia o próprio valor dos sucessos do executivo”. E reforçou dizendo que “quando tudo é elogiado por rotina, o que é verdadeiramente extraordinário perde relevância”. Luís Justino, que já foi presidente da Junta de Freguesia de Alcanhões, concluiu deixando um apelo a todas as bancadas para que saibam dignificar o mandato. “Guardemos os elogios para os momentos de prestação de contas que realmente os justifiquem e transformemos o tempo restante em trabalho produtivo, debate aceso mas elevado e propostas concretas”, disse na última intervenção do período de antes da ordem do dia.
“O estado pequeno em que se encontra o maior partido da oposição”
A réplica veio logo de seguida pelo presidente da Câmara de Santarém, João Leite (PSD), que no período de resposta aos eleitos considerou “inconcebível” o “condicionamento” que Luís Justino “tentou fazer”. E contra-atacou, dizendo ser muito estranho que o PS não tenha tido “uma palavra ou uma referência construtiva” sobre temas estruturantes anunciados nos últimos meses, como a Universidade Politécnica do Ribatejo ou o projecto Viva Mundo. “O PS de Santarém prefere, na voz da sua nova líder, falar de casas de banho públicas”, ironizou João Leite, referindo-se a uma intervenção feita momentos antes pela eleita socialista Raquel Cordeiro, nova presidente da concelhia do PS, em que pediu mais casas de banho públicas e bebedouros na cidade.
“Se isto é a dimensão que o PS ambiciona para a discussão pública… A população lá fora está atenta e não posso deixar de sublinhar o estado pequeno em que se encontra o maior partido da oposição”, afirmou o presidente da câmara. “Depois de termos conquistado o maior projecto privado de sempre para o concelho, na primeira assembleia municipal seguinte o PS diz zero!”, vincou João Leite, referindo-se ao projecto Viva Mundo, que tinha sido objecto de questões colocadas, precisamente, pela bancada do PSD.
O PS voltou à carga, por Rui Barreiro e Raquel Cordeiro, com o primeiro a dizer que iria falar do Viva Mundo mais à frente e ambos a acusarem João Leite de tentar condicionar as intervenções dos socialistas. Raquel Cordeiro acrescentou que cabe ao PS intervir sobre o que entende e que, como eleita, está ali para expor os problemas das pessoas e do concelho. João Leite refutou as acusações e disse que o único eleito que interveio para tentar condicionar foi Luís Justino.


