Política | 16-07-2026 15:00

Rui Anastácio governa cercado por protestos e responde com leis quando lhe pedem soluções

Rui Anastácio governa cercado por protestos e responde com leis quando lhe pedem soluções
Rui Anastácio - foto arquivo O MIRANTE

Presidente da Câmara de Alcanena tem sido um dos autarcas da região que mais cidadãos recebe em protesto nas reuniões do executivo. Perante populações indignadas, Rui Anastácio refugia-se frequentemente em enquadramentos legais, procedimentos administrativos e responsabilidades herdadas, quando o que os munícipes esperam é proximidade, compreensão e capacidade para resolver problemas concretos.

O mandato de Rui Anastácio à frente da Câmara de Alcanena tem ficado marcado por uma sucessão de protestos, contestações públicas e munícipes que procuram nas reuniões camarárias as respostas que dizem não conseguir obter pelos canais normais. Poucos presidentes de câmara da região terão recebido tanta gente indignada nas sessões do executivo. O problema não está apenas na quantidade de polémicas, mas sobretudo na forma como o autarca reage: quase sempre com justificações legais, explicações processuais ou referências ao passado, em vez de demonstrar empatia pelas preocupações das populações, de acordo com várias notícias publicadas por O MIRANTE.
O caso da Casa Estaminé, em Minde, é um dos exemplos mais evidentes. Moradores contestaram a construção de um prédio de três pisos na Praça Alberto Guedes, criticando o impacto na imagem histórica do local, no estacionamento e na vivência da praça. A população recordou que teria sido prometida uma auscultação pública, mas a resposta inicial do município centrou-se no facto de o projecto cumprir a lei, estar em execução e não poder ser alterado. Só depois de meses de contestação, a câmara suspendeu a obra para procurar outra solução. Uma decisão que mostra que aquilo que era apresentado como irreversível afinal podia ser revisto.
Também no Covão do Coelho a contestação subiu de tom por causa da linha de muito alta tensão Lavos–Rio Maior. Os moradores acusaram a autarquia de divulgar tarde a informação e de convocar uma reunião quando faltava apenas um dia para terminar a consulta pública. A câmara acabou por rejeitar o traçado, mas a reacção surgiu quando a população já se sentia abandonada e com pouca margem para participar.
A polémica mais grave terá sido a contratação, por 55 mil euros, da empresa de uma ex-vereadora que tinha deixado o executivo poucos meses antes. Embora não tenha sido demonstrada qualquer ilegalidade, a proximidade política, a oportunidade da adjudicação e a falta de explicações claras levantaram dúvidas éticas e de transparência. Quando questionado, Rui Anastácio preferiu criticar a exposição pública do caso, defender a antiga vereadora e recordar decisões de executivos anteriores. A empresa acabaria por rescindir o contrato após a onda de contestação.
Há ainda munícipes que dizem esperar durante meses por uma reunião ou uma resposta. António Alexandre compareceu repetidamente nas sessões camarárias para denunciar o alcatroamento de uma estrada dentro de propriedade privada. Apesar de o problema ter origem num mandato anterior, a responsabilidade de encontrar uma solução passou para o actual executivo. O cidadão afirmou que lhe foi prometida uma reunião que nunca aconteceu. A entrega tardia de documentos à Assembleia Municipal de Alcanena, os apoios aos Bombeiros de Minde atrasados por um erro contabilístico e outros dossiers que se prolongam reforçam a imagem de um executivo que reage tarde e comunica mal.

Aldina Marques - foto O MIRANTE

Munícipe alerta para valetas e ribeiras por limpar em Alcanena

Aldina Marques diz que há zonas do concelho ainda por limpar em pleno período de risco de incêndio. Presidente da Câmara de Alcanena garante que está em curso uma empreitada de limpeza, mas defende que a intervenção nas linhas de água deve equilibrar manutenção e preservação da vegetação.

A falta de limpeza de valetas, bermas e linhas de água no concelho de Alcanena voltou a ser tema de debate na assembleia municipal, depois da intervenção da munícipe Aldina Marques, que manifestou preocupação com o estado de vários locais numa altura em que o Verão agrava o risco de incêndio. A moradora afirmou que continua a encontrar valetas e ribeiros sem a devida manutenção, dando como exemplos a zona de Moitas Venda e a ribeira que passa por Vila Moreira. “Já terminou Junho e o que vem atrasado do Inverno está a passar para o Verão”, afirmou, apelando a uma maior fiscalização dos terrenos e lembrando que “todos devem limpar os seus terrenos”, cabendo à câmara vigiar e fiscalizar a situação. Aldina Marques lamentou ainda que a vegetação continue a invadir o leito de algumas ribeiras e criticou aquilo que considera ser falta de acompanhamento por parte das entidades responsáveis. “A ribeira que mencionei vai lá parar muita vegetação e não há limpeza nenhuma”, referiu.
O presidente da Câmara de Alcanena, Rui Anastácio, respondeu que está em curso, desde Março, uma empreitada de limpeza de bermas e valetas, que sofreu alguns atrasos devido às condições meteorológicas. Quanto às linhas de água, o autarca defendeu que a limpeza deve ser feita com critério, conciliando a manutenção com a preservação de parte da vegetação, afirmou, sublinhando que o essencial é evitar obstruções que possam comprometer o normal escoamento da água. Rui Anastácio lembrou ainda que, na malha urbana, a manutenção das linhas de água é da responsabilidade da Aquanena, enquanto fora das localidades essa obrigação cabe aos proprietários dos terrenos confinantes.

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