PSD de Azambuja queria transformar antiga escola em casa de emergência mas PS e CDU travam ideia
Sociais-democratas queriam converter a Escola Almeida Grandella, histórico edifício em Tagarro sem utilidade pública há mais de 20 anos, numa resposta temporária para vítimas de violência doméstica e famílias desalojadas. Maioria rejeitou a proposta com PS a defender que o imóvel deve ter um futuro ligado à educação.
A antiga Escola Almeida Grandella voltou a ser tema em reunião do executivo da Câmara de Azambuja e a sair sem uma solução concretizada. O PSD propôs a abertura de um procedimento formal para estudar a adaptação do edifício a Casa Municipal de Emergência e Acolhimento, mas proposta, que mereceu o voto favorável do Chega, acabou rejeitada pela maioria PS e CDU, forças políticas que gerem aquela autarquia em acordo governativo.
Na apresentação da proposta, a vereadora do PSD, Margarida Lopes, apontou a Escola Grandella como um dos exemplos mais evidentes de edifícios que “contam a história das oportunidades que uma terra foi deixando escapar”. Recuperado há cerca de duas décadas com dinheiros públicos, o imóvel foi cedido a privados, serviu de sede e espaço de exposições de empresas e chegou a ser anunciado como posto de turismo, creche, ideias que nunca se concretizaram.
O problema, criticou a social-democrata, “nunca foi a falta de ideias. Foi a falta de decisão e a incapacidade de transformar anúncios numa solução útil”. A proposta previa alojamento temporário para vítimas de violência doméstica, famílias desalojadas por incêndios, intempéries ou outras ocorrências e situações de emergência social.
A vereadora defendeu que a solução honraria o legado de Francisco de Almeida Grandella, devolvendo ao edifício uma função social. “Queremos que deixe de ser conhecido pelas promessas que fizeram e passe a ser conhecido pelas pessoas que poderá ajudar”, afirmou, esclarecendo que não se trataria de habitação social de caracter permanente.
O vice-presidente António José Matos (PS) respondeu com os números da acção social municipal, evidenciando que, em 2025, foram realizados 540 atendimentos, acompanhados entre 284 e 470 processos familiares por trimestre e dadas respostas a 20 emergências. Destacou ainda o cartão-refeição, com mais de 40 mil euros de investimento anual, e o apoio alimentar a mais de 460 pessoas.
António José Matos recordou que o concelho já dispõe de uma casa de emergência social, pouco utilizada, e que os casos de violência doméstica são encaminhados através da APAV para outras zonas, por razões de segurança. Margarida Lopes contrapôs que estavam em discussão necessidades de alojamento e garantiu conhecer casos enviados para fora do município por falta de resposta local. “Não basta vir para aqui com números e depois não tomar decisões”, reforçou o vereador do PSD Luís Benavente.
Por sua vez, e pondo um ponto final na discussão da proposta, o presidente do município, Silvino Lúcio (PS), afirmou que não é necessária uma segunda casa municipal de emergência e que a autarquia quer manter a ligação do imóvel à educação, apontando um programa de erradicação do analfabetismo e a criação um pólo de formação a desenvolver naquela antiga escola, “tão breve quanto possível”.
Inaugurada em 1910, a Escola Grandella é uma das cinco mandadas construir pelo filantropo Francisco de Almeida Grandella. Em 2004, foi cedida por 99 anos a uma empresa privada, em troca da recuperação e de um espaço para posto de turismo. O posto nunca abriu. Após anos de abandono, empresas extintas, um imbróglio jurídico e actos de vandalismo noticiados por O MIRANTE, regressou à posse municipal em 2023. Em Março deste ano, a hipótese de ali instalar uma creche foi descartada.


