Política | 27-07-2026 21:00

Moradores travam campos de padel no Cartaxo e câmara embarga obra por incumprimentos

Moradores travam campos de padel no Cartaxo e câmara embarga obra por incumprimentos
Ana Isabel Almeida representou os moradores do Cartaxo que temem sofrer com o ruído e desvalorização das casas por causa dos campos de padel - foto O MIRANTE

Projecto prevê três campos junto a habitações na Rua Nova do Outeiro. Moradores alertam para o ruído, perda de luz e desvalorização das casas. Câmara garante que o licenciamento cumpria a lei, mas fiscalização encontrou alterações nas dimensões, altura e estrutura da obra.

A construção de três campos de padel junto a um ginásio, na Rua Nova do Outeiro, no Cartaxo, está a provocar a contestação dos moradores, que temem ficar com o ruído das raquetes e dos torneios à porta de casa. A Câmara do Cartaxo garante que o projecto foi licenciado de acordo com as normas em vigor, mas acabou por embargar a obra depois de detectar que aquilo que estava a ser construído não correspondia ao que tinha sido aprovado. O assunto dominou parte da reunião pública do executivo municipal de 16 de Julho, onde moradores da zona manifestaram preocupação com a proximidade dos campos às habitações, a futura poluição sonora, a perda de luz solar e a eventual desvalorização dos imóveis.
Em representação dos residentes, Ana Isabel Almeida esclareceu que a oposição não é dirigida ao ginásio, mas à localização escolhida para os campos. “O desporto e o dinamismo do centro do Cartaxo não podem ser promovidos à custa do sacrifício do direito ao descanso e à qualidade de vida dos munícipes”, afirmou. A moradora defendeu a suspensão do projecto até serem esclarecidas todas as dúvidas relacionadas com o ruído, os afastamentos às casas, a volumetria e altura da estrutura e o impacto que o empreendimento poderá ter no valor das habitações. Criticou ainda declarações anteriores do vice-presidente da câmara, Pedro Reis, segundo as quais eventuais incómodos seriam avaliados depois de o espaço entrar em funcionamento. “Parece que essas medidas tinham de ser tomadas antes e não depois”, sustentou.
O presidente da câmara, João Heitor, disse compreender as preocupações e garantiu que o município “não vai pôr em causa os direitos de ninguém à conta do benefício para alguém”. O autarca revelou que a obra tinha sido embargada na véspera da reunião, depois de os serviços de fiscalização terem encontrado vários incumprimentos relativamente ao projecto aprovado. João Heitor sublinhou, no entanto, que o licenciamento foi concedido porque a proposta apresentada cumpria as normas urbanísticas e legais. Acrescentou que os horários de funcionamento terão igualmente de salvaguardar o direito ao descanso, atendendo à proximidade das habitações.
O vice-presidente, Pedro Reis, detalhou as desconformidades encontradas no local. Segundo explicou, os campos passaram de uma largura aprovada de dez metros para 12,7 metros, enquanto a altura aumentou de 6,6 para 8,7 metros. Foram ainda detectadas a inexistência dos corredores de segurança previstos, alterações estruturais não autorizadas, modificações na fachada e a ausência de director de obra e de identificação da empresa construtora. Apesar do embargo, Pedro Reis afirmou que a autarquia está disponível para procurar uma solução de compromisso que respeite simultaneamente os interesses do promotor e os direitos dos moradores.
João Heitor garantiu que o município irá exigir o cumprimento de todas as obrigações legais e acompanhar a correcção das falhas encontradas. “Os promotores têm todo o direito de fazer o edifício, mas há que cumprir as leis e aquilo que é o direito das pessoas ao descanso. Vamos continuar a acompanhar o caso”, assegurou.

Mais Notícias

    A carregar...
    Logo: Mirante TV
    mais vídeos
    mais fotogalerias

    Edição Semanal